Uma trégua na Casa do Porco, a melhor comida do Brasil

"Ninguém é de ferro, já ensinava meu mestre Fernando Pedreira, no velho Estadão da Major Quedinho. Chega de falar do governo Bolsonaro", diz o jornalista Ricardo Kotscho, do Jornalistas pela Democracia

Uma trégua na Casa do Porco, a melhor comida do Brasil
Uma trégua na Casa do Porco, a melhor comida do Brasil

Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho  para o Jornalistas pela Democracia - Ninguém é de ferro, já ensinava meu mestre Fernando Pedreira, no velho Estadão da Major Quedinho.

Chega de falar do governo Bolsonaro, nem eu aguento mais.

Na quarta-feira, em meio ao cruel expediente, larguei o noticiário, aceitei a sugestão de amigos para dar uma trégua, e fui almoçar na Casa do Porco, palco de uma festa gastronômica sem igual no Brasil. Por isso me lembrei do Pedreira, que sabe das coisas boas.

O único problema lá é arrumar um lugar para sentar, porque o restaurante vive lotado o dia inteiro. Abre ao meio dia e fecha à meia noite.

Graças aos préstimos do Beto Ranieri, o chefe da nossa confraria, que conhece todo mundo, logo nos arrumaram uma mesa neste restaurante sem luxo, meio caipira, todo colorido e enfeitado com adereços da roça, com um serviço afiado de primeiríssimo mundo.

O lugar é um sucesso de crítica e público desde que foi inaugurado, em outubro de 2015. Anda ainda mais cheio porque estreou um novo cardápio por estes dias, que vale a pena conferir.

Não demoraram a chegar os primeiros acepipes acompanhados de uma cachacinha da casa _ entre eles, uma fantástica manteiga de banha de porco para passar no pão, como minha mãe alemã fazia em casa.

Para forrar a barriga, surgiu um respeitável consome de presunto, que deu vontade de repetir, embora a degustação ainda tivesse muitos pratos pela frente.

Vejam só se tem isso em outro lugar: sushi de papada de porco com tucupi preto e nori; parmegiana com ragu de porco caipira, cogumelo e queijo parmesão.

E tem mais: panceta com goiabada, mexidinho de feijoada e churrasquinho de porco num braseiro que vem à mesa, com linguiça, costela e hortaliças.

Faltava a chave de ouro, o porco Sanzè, batizado com esse nome em homenagem a São José do Rio Pardo, de onde veio importado o chef Jefferson Rueda, que criou todas estas maravilhas.

Não é um porco qualquer: é um espécime criado solto, com alimentação natural, e só vai para a mesa depois de assar lentamente no grande braseiro montado na cozinha aberta, um espetáculo ao vivo.

Vem com tutu de feijão, tartar de banana, farofa de cebola e uma saladinha de couve cru só com sal e limão, que para mim é a mais simples e melhor criação da casa.

Se alguém ainda aguentar, pode pedir um creme de milho com sorvete de queijo de cabra e crocante de fubá, que não vai se arrepender.

Para quem duvida que esse paraíso da Casa do Porco existe, é só ir até a rua Araújo, 124, no coração de São Paulo, perto do Edifício Itália. Mais informações no Google.

Algumas cachacinhas depois, você sai de lá sem nem lembrar quem está no governo e onde fica Brasília.

A vida é dura, mas vale a pena.

Vida que segue.

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