Vamos viver

Se o mundo é assim, temos nossa parcela de culpa



Estamos vivendo um mundo cheio de mudanças que nos são anunciadas dia a dia. Enquanto a maioria de nós ainda não pode usufruir das redes de celular 5G, já falam dos benefícios da 6G. Computadores quânticos voltaram a ser tema de vários artigos e o Metaverso parece que vai revolucionar as relações entre o mundo físico e o virtual.

Claro que tudo isto ainda é, ou será inicialmente para poucos.  Como todo avanço tecnológico, leva um certo tempo até que a maioria da população possa usufruir. Houve um tempo em que ter uma linha telefônica custava uma fortuna, os primeiros celulares eram proibitivos e as TVs de parede custavam o preço de um carro.

Como tudo neste mundo capitalista em que vivemos, as coisas se resumem entre oferta e demanda. Novos lançamentos começam com pouca oferta e alta demanda. É o momento paradisíaco de todo capitalista, quando ele obtém rapidamente o retorno do seu investimento e depois, quando a oferta aumenta, tudo é lucro.

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Isto também vale para o momento em que estamos vivendo. A pandemia mostra perfeitamente a frieza capital do mundo em que vivemos. No começo uma simples máscara custava alguns dólares a unidade! Hoje custam centavos. O mesmo com tudo que se relaciona ao Covid, incluindo aí as vacinas que salvam vidas. Não seria diferente com a desgraça humana.

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Se o mundo é assim, temos nossa parcela de culpa. Não importa se vivemos em países democráticos, ditaduras, sob regimes de esquerda ou de direita. A maioria dos seres humanos é consumista e seu desejo por conforto (em todos os sentidos), é igual para todos. O lançamento do último modelo de um aparelho celular atrai multidões. Eventos grandiosos para seu lançamento e pré-vendas do que ainda não chegou ao mercado são anunciadas, as vezes com meses de antecedência, sempre com interessados. 

Enquanto tentamos manter o mínimo da vida que tivemos há dois anos atrás, o danado do vírus insiste em nos lembrar quem é o dono do pedaço atualmente. Sem nenhuma vergonha ele vai mudando sua aparência como alguém que troca de roupa, e se faz anunciar com toda pompa que ainda está aqui. Como um vizinho indesejável, ele sabe fazer barulho.

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Nem bem acabamos de tomar nossa valiosa dose de vacina e já nos dizem que temos de tomar mais uma dose. Eu tomei a primeira e na sequência a segunda como programado. Então me avisaram que deveria tomar um reforço como terceira dose e agora, como indicado aos maiores de 60 anos, mais um reforço, ou quarta dose. Se continuar assim, serão três doses ao ano, uma a cada quatro meses.  

Nada contra continuar tomando picadas de injeção, desde que eu continue prevenindo a doença na sua forma mais grave. As vacinas atuais não previnem totalmente o Ômicron, mas a diferença entre vacinados e não vacinados é grande. Por enquanto, praticamente todos que foram a óbito são não vacinados. Quem se vacinou, tem sintomas leves e passageiros sem sequelas.

Eu continuo fazendo o possível para ser parte do grupo que no futuro vai contar que não ficou doente. Sigo as orientações de vacinação e não saio de casa sem máscara, uso até mesmo para caminhar na rua. Estou trabalhando de casa faz uma semana e pretendo continuar por mais uma ou duas, a depender da situação aqui em Israel. Atualmente nos aproximamos dos 50.000 novos casos ao dia, mas os pessimistas já nos falam de que podemos chegar a 300.000!

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Muito já se aprendeu com esta pandemia. Infelizmente ainda não é suficiente, mas para alguém que aprende a dirigir já sentado na direção e acelerando, muito deste aprendizado já ajuda os especialistas e responsáveis na tomada de decisões. O que aconteceu é que se antes o carro andava devagar e permitia um aprendizado mais confortável, agora ele está acelerado a 120 k/h e os experts precisam reagir rapidamente aos percalços do caminho. Eles fazem o que podem.

Estou recebendo notícias de amigos e conhecidos que se infectaram recentemente com esta nova onda. Pessoas vacinadas, que se cuidam e se achavam protegidas. Muitas ainda sem compreender como se contagiaram. O importante é que até aqui, todas elas falam de sintomas leves e plena recuperação. A lição que fica é de que basta dar uma chance ao azar e o pilantra do ômicron te pega! Não vacile.

Em meio a tudo as pesquisas seguem apontando que Lula é líder absoluto em qualquer cenário, com ou sem ômicron, digo, com ou sem qualquer um dos pretensiosos ao cargo. Uma chance muito grande de levar a faixa no primeiro turno. Para que isto não mude, se cuidem, todo voto conta e vamos precisar de todos os votos. Vacinem-se e continue usando máscara.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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