Vem aí a campanha eleitoral baseada na captura de dados dos eleitores

Nada acontecerá se os próprios eleitores não cobrarem proteção aos seus dados e não estiverem conscientes das consequências de autorizarem seu uso

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Celulares | mídias sociais (Foto: Freepik)


Por Paulo Henrique Arantes

Era junho de 2017 quando o pesquisador de segurança cibernética Chris Vickery, da empresa americana UpGuard, fez uma varredura de rotina na web e deparou com dados de 198 milhões de eleitores americanos. Livres, soltos, totalmente disponíveis na internet. Eram informações compiladas pela Deep Root Analytics, consultora do Partido Republicano, carinhosamente chamado de GOP (Grand Old Party) por seus simpatizantes. 

Vickery foi à polícia e aos jornais. Sem sofrer maiores consequências legais, a Deep Root atribuiu os 12 dias em que aquela imensidão de dados sensíveis de cidadãos americanos ficou exposta para quem quisesse usá-la a uma falha durante procedimento de atualização de configurações. Novos protocolos adotados pela consultoria conferiram segurança aos dados, garantiu a Deep Root posteriormente.

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O caso Deep Root – GOP dá a dimensão do potencial eleitoral do Big Data. Os arquivos continham informações detalhadas de praticamente todo o eleitorado dos Estados Unidos. Conforme noticiou a imprensa americana, 9,5 bilhões de pontos de dados permitiam que a empresa avaliasse preferências políticas, posicionamentos sobre questões comportamentais como aborto, pesquisas com células-tronco e gostos de consumo.

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Os republicanos comemoraram o fato de os arquivos terem sido encontrados por um profissional como Vickery e não por um hacker russo, chinês ou marciano. O caso é considerado o maior vazamento de informações sobre eleitores da História. “É um catálogo de vidas humanas, com detalhes intrínsecos”, disse Mike Baukes, presidente-executivo da UpGuard.

Nos Estados Unidos, diante do caso Deep Root – GOP, Timothy Sparapani, consultor de privacidade de dados da SPQR Strategies e ex-diretor e Políticas Públicas do Facebook, afirmou que se o responsável em última instância fosse uma empresa privada, e não um partido político, sofreria multas pesadas aplicadas pelos reguladores e ações punitivas movidas por procuradores-gerais. A caracterização de ação política evitou tudo isso. 

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As explicações do Partido Republicano foram protocolares e insatisfatórias. Seus porta-vozes disseram que os dados em questão, pertencentes à legenda, limitavam-se a informações básicas sobre seus eleitores e não foram expostos – duas mentiras. A repercussão foi péssima, como não poderia deixar de ser.

“Esses dados são usados para manipulação de opinião”, atacou à época Marc Rotenberg, diretor-executivo do Eletronic Privacy Information Center, fundação de pesquisas sem fins lucrativos. “É preciso haver consequências para as violações. Temos um grande problema neste país com segurança de dados, e está piorando”, advertiu.

“O uso de dados é o presente e o futuro das campanhas politicas – quanto ao Brasil, é o futuro”, diz André Torreta, profissional de marketing que já realizou campanhas para alguns dos mais importantes políticos brasileiros. “Falhas de segurança, contudo, podem caracterizá-lo como prática antiética e mesmo criminosa, a devassar a vida das pessoas e aspergir seus hábitos, costumes e preferências para todo canto, daí o avanço representado pela nossa Lei Geral de Proteção de Dados, à qual se soma a nova norma do Tribunal Superior Eleitoral sobre fake news e uso de aplicativos de mensagens. Não se utilizam dados pessoais sem autorização, nem se deve guardá-los sem a devida proteção – esse é futuro saudável do Big Data”, alerta Torreta.

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Fato é que nada acontecerá se os próprios eleitores não cobrarem proteção aos seus dados e não estiverem conscientes das consequências de autorizarem seu uso. Dispositivos que capturam dados e autorizações de uso de forma sorrateira na internet merecem atenção especial.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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