Venezuela à beira de um novo golpe

O fogo pesado que o atual presidente Nicolás Maduro sofre dentro e fora do país pelos grandes veículos de comunicação é covarde

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É ultrajante a arrogância do governo americano em se intrometer na vida de qualquer cidadão do mundo. De que adianta o voto na urna se o seu candidato escolhido não tem o aval dos Estados Unidos? A soberania só existe para eles.

Desde a eleição democrática de Hugo Chávez em 1999 na Venezuela que o imperialismo norte-americano não se cansa de tentar usurpar a preferência daquele povo. Há exatos doze anos do primeiro golpe descaradamente incentivado, arquitetado e financiado pelos Estados Unidos contra àquele país, mais uma vez a lógica ianque conspiratória de se sobrepor a tudo e a todos salta aos olhos.

O fogo pesado que o atual presidente venezuelano Nicolás Maduro – herdeiro político de Chávez e também eleito democraticamente – sofre dentro e fora do país pelos grandes veículos de comunicação é covarde. Eles chegam ao absurdo de copiar imagens e fotos de protestos de outros países para colar neste um quadro de total desordem e descontrole. Pela velha receita da guerra midiática para conquistar corações e mentes vale tudo.

Mas por que tanto ódio a Chávez e seus seguidores? Os Estados Unidos que tanto dizem difundir os ideais democráticos mundo afora, por que não respeitam a soberana vontade popular de um governo legalmente constituído? Por que temos que ouvir 'conselhos' do presidente americano de plantão para situações inerentes a outro país? Você consegue imaginar o inverso?

Para os setores conservadores, o grande pecado de Chávez foi ter dado vez e voz ao povo venezuelano mais humilde, sempre esquecido e ignorado por uma elite insensível às suas necessidades. Ele inseriu o país no cenário mundial e assegurou total controle nacional sobre as maiores reservas de petróleo do mundo.

A polarização entre opositores e defensores do governo é cada vez mais acirrada e violenta. A corda já esticou demais e a oposição liderada pelo incendiário Leopoldo Lópes percebe que o momento é oportuno para o golpe, já que pelo crivo das urnas não consegue retomar o poder.

A obsessão em interromper o processo iniciado por Hugo Chávez é tão visceral que o bilionário da mídia local, Gustavo Cisneros, chegou a chamar os simpatizantes chavistas de macacos. É visível nas fotos dos grupos contra e a favor do governo a diferença na cor da pele. A grande imprensa alimentando e fomentando um preconceito racial e social cada vez mais acentuados.

Em 2005, nove professores da Escola de Comunicação e Artes da USP foram convidados a participar da reunião de pauta do Jornal Nacional, comandada por William Bonner. Saíram impressionados com o que ouviram. Além do espectador do programa ser comparado a Homer Simpson – sujeito preguiçoso e de raciocínio lento – pelo editor-chefe e jornalistas da emissora, assistem a rejeição a uma matéria sobre a decisão do governo venezuelano de vender óleo de calefação a preços 40% mais baixos para famílias pobres do estado de Massachusetts (EUA). "Essa notícia é imprópria para o jornal", disse Bonner. Acho que nem precisamos confirmar a veracidade da frase. Desafio você a me mostrar uma mínima palavra a favor de Chávez na Globo durante todos esses anos.

Nunca esqueci o cartaz estendido em uma das manifestações por um jovem venezuelano de traços quase escandinavos: "Sorry Bush, Chávez is crazy". Há subserviência maior? O engraçado é que os de mais posses são os mais subservientes. Parecem ter vergonha de sua própria pátria. E, pensando bem, a julgar pelo histórico intervencionista e belicista dos Estados Unidos, quem seria o louco (crazy) nessa história?

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