Venezuela pode ser a próxima guerra de Trump

Evilázio Gonzaga Alves, novo colunista do 247, analisa a decisão do presidente dos Estados Unidos, Dolnald Trump, de retirar as tropas da Síria, Iraque e Afeganistão, e mostra que, seguindo a tradição de sempre recorreram a uma guerra quando enfrentam problemas políticos internos, a Venezuela é a bola da vez; "certamente uma invasão da Venezuela, que pelos movimentos dos EUA, parecem prováveis não será um passeio", escreve Evilázio

Venezuela pode ser a próxima guerra de Trump
Venezuela pode ser a próxima guerra de Trump (Foto: Fotos: Reuters)

Trump anunciou a retirada de tropas da Síria, Iraque e Afeganistão. Isso pressupõe um grande movimento das forças estadunidenses. Para onde serão remanejadas essas forças, visto que o orçamento do Pentágono não foi reduzido, ao contrário aumentou e chega a cerca de 700 bilhões de dólares?

Em outros pontos de atrito, como no leste europeu e extremo oriente já há forças suficientes estacionados. Além disso, o tipo de tropas que atuam no oriente médio é diferente das que estão posicionadas nas outras fronteiras "quentes" do interesse estadunidense. Nesses locais são formações organizadas, treinadas e equipadas para uma guerra convencional em grande escala.

As unidades que estão sendo movidas do oriente islâmico são tropas especializadas em intervenções assimétricas: combates contra adversários mais fracos, guerrilhas, operações urbanas e invasões súbitas.

O único cenário para um conflito deste tipo é a Venezuela.

O país vizinho possuí uma força aérea com algumas dezenas de aviões modernos, entretanto é pequena, desequilibrada e faltam meios de monitoramento do espaço aéreo e defesa. Seria rapidamente neutralizada pelo poder estadunidense.

A marinha é praticamente inexistente, sem condições de resistir a um ataque em uma guerra moderna.

O problema é o exército, articulado com milícias populares. O chavismo veio das forças armadas, dessa forma a maior parte das tropas deve se manter fiel ao governo, sendo que aí estão incluídas as unidades de elite, como o comando de paraquedistas, o de serviu Chaves.

O exército venezuelano não teria capacidade de enfrentar os estadunidenses e seus aliados em uma guerra convencional.

Porém o país é grande, coberto de florestas - está mais para o Vietnã, do que para os desertos descobertos do oriente - seus militares conhecem o país e boa parte da população apóia o chavismo. As milícias populares estão armadas, uniformizadas, treinadas e orientadas sobre o que fazer, no caso de uma invasão.
Certamente uma invasão da Venezuela, que pelos movimentos dos EUA, parecem prováveis não será um passeio.

Para finalizar, os presidentes estadunidense sempre recorreram a uma guerra, quando enfrentam problemas políticos internos. As últimas eleições nos EUA revelaram que é quase nula a possibilidade de reeleição de Trump.

Ele precisa de uma guerra. As guerras islâmicas não são dele e se transformaram em atoleiros. Não terão solução, muito menos uma vitória estadunidenses, independentes do esforço que fizeram.

Na América Latina, por outro lado, as intervenções estadunidenses são uma tradição, desde as invasões do México, que subtraíram mais da metade do território mexicano. Além disso, aqui no quintal, eles nunca foram derrotados, exceto na questão do Acre, quando o Barão do Rio Branco deu uma magistral rasteira no governo dos EUA.

A Venezuela, portanto pode ser a guerra de Trump.

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