Verdades e equívocos sobre rodízio de água no DF

O rodízio de água, que acontece nas áreas abastecidas pelo Descoberto, contempla cidades como Águas Claras e Park Way, que não são cidades consideradas “pobres”

O rodízio de água, que acontece nas áreas abastecidas pelo Descoberto, contempla cidades como Águas Claras e Park Way, que não são cidades consideradas “pobres”
O rodízio de água, que acontece nas áreas abastecidas pelo Descoberto, contempla cidades como Águas Claras e Park Way, que não são cidades consideradas “pobres” (Foto: José Carlos Camapum Barroso)

Artigo do professor Marcelo Pires Mendonça, publicado neste site de notícias, sob o título “Racionamento de Água no Distrito Federal é branco, elitista e classista” demonstra o total desconhecimento do autor sobre as medidas que estão sendo tomadas para superar a crise hídrica vivida no Distrito Federal. Pela lógica do raciocínio, ou pela falta dela, fica demonstrado também que o professor desconhece a realidade de classes e a distribuição de renda no DF.

Primeiro, não é verdade que se começou a tratar do assunto crise hídrica em 2017, de forma “extemporânea”. Esse assunto vem sendo tratado pelos meios de comunicação, em mídias espontâneas e campanhas publicitárias desde meados do ano passado. Em agosto, por exemplo, a ADASA divulgou resolução em que estabelece os níveis de alerta, atenção e situação crítica, com as respectivas medidas para cada caso, inclusive a possibilidade de racionamento, entre outras.

A Caesb passou a tratar desse tema semanalmente, por meio dos veículos de comunicação, alertando que, caso o reservatório chegasse ao nível inferior a 20%, poderíamos ter manobras de redução de pressão nas redes ou até mesmo o rodízio de água em Brasília. Tudo isso foi feito de forma clara e transparente, com avaliação da realidade hídrica de 2016, o período de seca amplo e intenso e outras dificuldades que estavam sendo verificadas.

O professor também demonstra desconhecimento sobre pontuais e localizadas falta de água, que pode ter ocorrido em dias anteriores à implantação do rodízio. Ele não sabe porque não quis saber o que de fato poderia estar acontecendo. Houve falta de água, pontual, por problemas extraordinários, como rompimento de rede, ou por interrupção programada da Caesb para execução de melhorias nas redes. Nada além disso.

O senhor Marcelo, mesmo sendo um professor, desconhece a realidade do nível de renda das cidades atingidas ou não pelo rodízio de água. Não é verdade que a separação esteja sendo feita por faixas de rendas, prejudicando pobres e negros, em benefício de ricos e brancos. Quanto desconhecimento da realidade!

O rodízio de água, que acontece nas áreas abastecidas pelo Descoberto, contempla cidades como Águas Claras e Park Way, que não são cidades consideradas “pobres”, fazendo uso do jargão do professor.  Da mesma forma – talvez, com nível de renda um pouco inferior –, também não entram nessa qualificação cidades com Guará, Taguatinga e Vicente Pires.

Estão fora do rodízio, porque são abastecidas pelo Sistema Santa Maria/ Torto, cidades como Itapoã, Varjão e Paranoá, que, em vez de afirmar, pergunto: não são regiões consideradas pobres? Nelas não moram negros? Só moram brancos?

Da mesma forma, não estão no rodízio cidades como Planaltina, São Sebastião, Sobradinho I e II, inclusive Fercal, Brazlândia e São Sebastião, que também não podem ser distanciadas dos jargões de “pobres” e “negros” tão utilizados pelo professor na sua equivocada manifestação sobre a crise hídrica no DF.

Em setembro do ano passado, houve manobras de redução de pressão e de rodízio de água nessas cidades, abastecidas pelas captações isoladas, no entanto, não se viu manifestação de indignação do professor sobre essas ações, então localizadas, por razões exclusivamente técnicas. Não considerou ele que, “pobres e negros, poderiam estar sendo prejudicados?

O professor, por todo esse desconhecimento, baixa capacidade de observação da realidade do DF e incapacidade de análise sobre o tema, revela, na verdade, interesses, talvez, ideológicos, políticos ou até mesmo partidário.

Lamentável, sobre todos os aspectos, porque o professor, na verdade, presta um desserviço para o processo de conscientização do que está sendo feito, de forma clara e transparente, e que necessita de apoio da população para que obtenha melhores resultados.

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