Vertentes que irrigam de amor o Brasil e o nosso povo

Brizola, Zumbi, Tiradentes e muitos outros homens e mulheres são vertentes referenciais de amor apaixonado de quem ama o Brasil, o povo, a democracia modelo radical na justiça social; são vertentes inesgotáveis de inspiração e de coragem para nossa luta, hoje e sempre

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Querido jovem amigo Arisvan Nunes da Silva

As pessoas colecionam consciente e inconscientemente o que lhes marca positivamente durante a vida.

Uma das marcas de minha vida foi te conhecer, meu amigo.

Num dia do ano de 2012, ao entrar no prédio onde moro, te encontrei na portaria lendo um livro.

Ao me aproximar e te perguntar de que se tratava a tua leitura me disseste que era o "Manifesto do Partido Comunista", escrito por Karl Marx e por Friedrich Engels em Bruxelas em 1848, como texto de um panfleto para a Internacional Socialista.

Perguntei-te se sabias quem eram os autores e de que tratava o que lias. Respondeste-me que tudo o que os autores escreveram era pura verdade e que era válido para nossos dias e que a exploração imposta pela burguesia aos trabalhadores era a mesma conceituada pelo livro.

Nossa conversa evoluiu para outros textos e para o convite para integrares a diretoria da Ibrapaz.

Hoje, numa caminhada muito mais profunda e iluminada, distante dessa borrasca de rejeitos assassinos da inteligência, da reflexão, da fraternidade e da justiça social me comovo com teu crescimento.

Nunca negaste que, para sobreviver, trabalhas como porteiro. Mas teu testemunho pessoal radiografa um legítimo brasileiro do tipo dos que, como dizemos lá no meu Rio Grande do Sul, não se entregam para qualquer peleia.

És um estudioso intelectual. Fazes os cursos de jornalismo e de história. Sonhas com a docência superior.

Certamente serás um grande professor, do modelo dos que não dão aulinhas bestas para preparar imbecis para o mercado. Serás criativo, curioso, pesquisador, inquieto e provocador de inquietudes.

Serás um grande líder de nosso povo, é o que antevejo e prevejo em teus jovens passos como trabalhador e intelectual orgânico.

És a prova do retirante que veio do Piauí em recusa ao subaproveitamento humano e em protesto à miséria e à pobreza, como nos contaste.

Leste na minha última postagem que escrevi (aqui) que o ódio tem fontes. As mesmas que alimentam as amebas dos que se perdem pelos descaminhos das intrigas, da desconstrução de nossas raízes cordiais brasileiras.

Lá escrevi que Aécio Neves é uma dessas fontes de rejeitos golpistas. Felizmente até sua mídia amiga noticia o mal que ele representa para a sociedade brasileira.

Aécio, Cunha, Serra, FHC, Caiado, Aloysio Nunes, Agripino Maia, Paulinho Mandado, a mídia oligárquica, os bancos privados, os ruralistas, os fundamentalistas, os fascistas, os nazistas e outros da mesma pocilga produzem lamas assassinas que descem de suas arrogâncias em direção à sociedade, produzindo idiotas, burrices, psicopatas destrutivos, divisões, ódio, desemprego e desgraças de todos os tipos na família brasileira.

Felizmente há vertentes que pessoas históricas representam como fontes de amor radical pelo Brasil, pelo nosso povo e pela democracia.

Essas vertentes têm que ser estudadas, resgatadas e atualizadas como fontes inesgotáveis de nossa inteligência nacional e da justiça social expressa em mais democracia.

Portanto, é educativo para o povo brasileiro que a Presidenta Dilma assine o projeto de lei reconhecendo o grande nacionalista Leonel de Mora Brizola como Herói da Pátria.

Numa conjuntura de escuridão na qual transparecem os rejeitos, a pregação do quanto pior melhor, a pregação eivada de cinismo e falta de honestidade demarcada pelo golpe de Estado contra a democracia, do discurso fácil e ignorante, Brizola nos ajuda e enxergar melhor de onde vêm e quem são os maldosos, como os que arrolei acima.

Brizola acumulou profunda sabedoria ao enfrentar a tentativa de golpe em 1963 usando a famosa Cadeia da Legalidade ao defender a Constituição, que definia que quando o Presidente renuncia o vice deve assumir.

Numa onda golpista e delinquente como a de agora, que reuniu anjos das trevas a demônios do inferno que atuavam nas Forças Armadas, na mídia, no empresariado, nas igrejas, nos ruralistas e outros, Brizola mobilizou a Nação e encolheu à sua insignificância os ratos de esgotos, que queriam passear pelas sarjetas e ruas da democracia, destruindo-a.

Desgraçadamente três anos mais tarde nosso povo foi vítima do golpe civil militar, fonte de muitos dos nossos atrasos e males atuais.

Com a redemocratização, sabotado pela TV Globo e sua cloaca Marinho, Brizola foi o único brasileiro com dignidade suficiente para enfrentar o bicho furioso na sua própria toca, como mostra o vídeo abaixo.

Luiza Carlos Prestes definiu Leonel de Moura Brizola como homem valente e honesto. Valores que nosso povo reverencia, ao contrário dos demônios alinhados acima no décimo sétimo parágrafo.

Como Herói da Pátria, Leonel de Moura Brizola iluminará nosso amado País ao lado de Zumbi e de Tiradentes.

Nada mais merecido!

Zumbi, o herói negro revolucionário, que não se encolheu nos cantos a lamentar com zambo a saudade das raízes livres africanas.

Zumbi é Herói da Pátria com Brizola porque acentuou o coletivo como valor absoluto e sublime, iluminado por escravos que rompem as correntes para se libertarem como irmãos na construção de uma sociedade livre, sem donos e sem rejeitos contaminados de correntes e chicotes.

Zumbi dos Palmares morreu vítima da colonização escravocrata, fonte de alimento putrefato ingerido para reforçar as amebas destrutivas dos que odeiam hoje a sociedade e a democracia brasileiras, numa oposição desalmada e corrupta.

Zumbi tombou na luta, esquartejado e seus restos mortais não se decompuseram porque feitos do material incorruptível dos heróis que amam como vertente que irriga o bem e a justiça social, sempre ressuscitados nos que amam o próximo.

Quem se decompõe e mal cheira são os que odeiam, como os da lista macabra no décimo sétimo parágrafo desta carta.

No dia 20 de novembro de 1695 Zumbi morreu assassinado covardemente pelos colonizadores e proprietários de terras. Mas seu espírito heroico sopra em nossas montanhas, vales, ruas e praças em busca do acontecer patriótico e democrático com justiça social.

Brizola e Zumbi são Heróis da Pátria (escrevo de pé essa designação) ao lado de Tiradentes, nossa vertente de inspiração e bravura, também.

Os heróis não conseguem ser conservadores nem retrógrados, por mais que suas origens culturais, econômicas, políticas, familiares e religiosas os puxem para os entulhos do atraso.

Assim foi com o camarada de Brizola, Herói da Pátria, Joaquim José da Silva Xavier. Apesar de filho de português colonizador e de mãe nascida no Brasil, mas descendente de proprietários rurais, foi revolucionário.

Como revolucionário não aguardou sentado que o Brasil fosse manipulado por uma coroa dependente, rapinado por Portugal, e lançou-se na derrubada do império na luta pela República.

Tiradentes lutou por uma República na qual as coisas do povo, as coisas populares fossem prioridade aos impostos para enriquecer uma minoria corrupta e entreguista de nossas riquezas minerais.

Lutou para que as coisas do povo (res-pública) fosse o desenho de um Estado laico e democrático.

Mártir da Independência, Tiradentes é uma das nossas vertentes históricas, que, mesmo morto em 21 de abril de 1792, aparentemente derrotado pela casta dos que vencem bebendo o sangue dos inocentes e a força dos que trabalham, ganhou a vitória da história, que sepulta os covardes e traidores e reverencia no Panteão da Pátria os revolucionários e heróis, símbolos de homens e mulheres que não se acovardam nem se amesquinham ante os desafios da libertação.

Brizola, Zumbi, Tiradentes e muitos outros homens e mulheres são vertentes referenciais de amor apaixonado de quem ama o Brasil, o povo, a democracia modelo radical na justiça social; são vertentes inesgotáveis de inspiração e de coragem para nossa luta, hoje e sempre.

São fontes que, como tu, meu amigo Arisavan, se irrigam em outras fontes mais profundas e mais enraizadas no amor ao próximo coletivamente e à Pátria.

• Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.

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