Vitória arrasadora do MAS evitou massacre e avanço ditatorial na Bolívia

"A vitória do MAS ensina que para deter e derrotar o fascismo é imprescindível uma potente e radicalizada mobilização do povo unido e em movimento", escreve o colunista Jeferson Miola sobre a eleição de Luis Arce nas eleições presidenciais da Bolívia

Luis Arce
Luis Arce (Foto: Reprodução/Twitter)
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À medida que as pesquisas apontavam a possibilidade de vitória de Luis Arce [MAS – Movimiento Al Socialismo] já no 1º turno da eleição presidencial de domingo [18/10], cresciam as especulações sobre possível virada de mesa pela oligarquia boliviana.

O bloco fascista que tomou o poder com o golpe engendrado em Washington e executado diretamente pelo Secretário-Geral da OEA Luis Almagro em novembro de 2019, estava determinado a não aceitar o resultado desfavorável no pleito.

Estavam preparados para promover uma tremenda fraude no processo de apuração, que é controlado pelos funcionários da justiça eleitoral nomeados pela usurpadora Jeanine Áñez.

Também estavam dispostos a realizar uma brutal ofensiva militar contra o próprio povo boliviano – realidade que desataria novos massacres e levaria ao aprofundamento da ditadura fascista na Bolívia.

Entretanto, a oligarquia não conseguiu executar o plano de fraude e, tampouco, avançar com nova ruptura da Constituição. O desempenho arrasador do MAS na eleição foi o fator chave para a interrupção do plano oligárquico apoiado pelos governos Bolsonaro e Trump.

De acordo com pesquisas boca de urna, Luis Arce terá cerca de 53% dos votos; ao passo que o 2º colocado, o direitista Carlos Mesa, fará ao redor de 31% – ou seja, uma diferença pró-Arce que deverá ultrapassar 1,4 milhões de votos.

A vitória acachapante moldou o posicionamento dos observadores europeus. Ainda na noite de domingo, ante a demora na liberação das pesquisas e no início da apuração, a posição deles exigindo a publicidade dos dados inibiu os propósitos golpistas arquitetados por Washington.

Carlos Mesa, o 2º colocado que em 2019 participou do golpe, reconheceu que “o resultado é muito contundente e muito claro”.

Luis Almagro, o títere dos EUA [e, especula-se, agente da CIA] que produziu o informe falso elaborado para a perpetração do golpe de 2019, declarou “reconhecimento ao povo boliviano”. Almagro, aliás, perdeu totalmente a condição de continuar no cargo de secretário-geral da OEA; ele tem as mãos manchadas com o sangue dos massacres do regime golpista contra o povo indígena nos últimos 11 meses.

A vitória do MAS é a vitória dos povos originários; é a vitória da resistência democrática e popular à ofensiva fascista; é a vitória da soberania da Bolívia ante as interferências dos capitais multinacionais e ante a agressão estadunidense através de seus vassalos regionais – como o governo do Brasil, cuja embaixada em La Paz teve participação ativa em toda dinâmica golpista.

A vitória do MAS ensina, além disso, que para deter e derrotar o fascismo é imprescindível uma potente e radicalizada mobilização do povo unido e em movimento.

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