Vivemos perigo real de virarmos um Iraque destruído

postura mais consequente é a de participarmos de todas as lutas contra o golpe, principalmente a de ocuparmos o Senado para convencermos senadores e senadoras minimamente decentes de que o impeachment é a arma do golpe, letal para todos nós. E, depois, levantarmos o País numa greve geral a favor da democracia e pela salvação nacional

Querida amiga Dra. Luana Farias, Ananindeua, Pará

Escrevi neste domingo uma carta dedicada à nossa amiga Érika de Belém. Afirmo-lhe sobre os desafios de realmente ouvirmos e vermos as pessoas como de fato elas são.

Uma das belas surpresas em nosso encontro em Cametá foi a alegria de te conhecer e contigo a descoberta de uma pesquisadora e doutora da área da saúde.

Mais entusiasmante foi contar com tua intensa participação no debate sobre a crise que vivemos no País, hoje. De posse da consciência de cidadania demonstraste criticamente as ameaças dos direitos conquistados pelos povos e comunidades do Pará nos setores da moradia, da saúde, da educação, das pesquisas, da energia elétrica etc. Em tuas falas apontaste para as graves consequências do golpe que vivemos no Brasil.

Pois é, caríssima doutora Luana, há anos que fontes sérias, até com base em análise lógica dos movimentos destrutivos das gigantes corporações da área do petróleo, como ponta de lança do imperialismo assassino, indicam que nosso País coloca-se na rota das invasões armadas bombásticas e de desconstruções de nossa resistência como Nação.

Isso não é nenhuma teoria da conspiração de mesa de shop. Desgraçadamente o que a OTAN e as empresas estadunidenses fizeram bombardeando o Iraque, sob nuvem pesada de mentiras com o objetivo de justificar a barbárie para abocanhar o Petróleo, dispõem-se a fazer no Brasil. Por isso o golpe financiado por eles é fundamental, colocando o traidor Temer no poder.

Principalmente com a descoberta das fantásticas bacias do pré-sal o Brasil é mira das cobiças das aves de rapina. O que Dilma dizia sobre o nosso petróleo fino ser passaporte para o futuro, para os assaltantes amantes da guerra vira garantia de lucros monstruosos, desde que manipulados pelas multinacionais amadas e admiradas por José Serra.

Quem afirma isso, com conhecimento de causa pela formação científica e técnica, além da enorme experiência na descoberta de um poderoso poço de petróleo no Iraque, é o geólogo brasileiro Guilherme Estrella.

Estrella descobriu o pré-sal no Brasil e conhece muito bem o caráter daninho e perigoso das disputas por parte das poderosas piratas internacionais.

Numa entrevista ao jornalista Paulo Moreira Leite do site Brasil 247 (lê aqui), Estrella é profético ao denunciar o que se alinha para o Brasil. Denunciou que não há ilusões sobre as pretensões dos traidores José Serra e de Michel Temer ao tentar enganar a opinião pública brasileira com a cantilena de que a Petrobras deva abrir mãos de sua total responsabilidade sobre a extração, refino e comercialização do nosso petróleo, abrindo espaço para as multinacionais conhecidas e poderosas.

"Eu acho importante reconhecer que na disputa pela soberania energética das nações, não há lugar para bom mocismo nem ingenuidade. É guerra entre mastodontes, que frequentemente envolve ações típicas de pirataria, em pleno século XXI, e também pode levar a confrontos abertos. A regra é: escreveu não leu, aparecem porta aviões ou cruzadores — quando as reservas estão no mar", disse Guilherme Estrella.

É assustador o que explica o geólogo e ao mesmo tempo nos alerta para nos abrirmos para a possibilidade de nos anteciparmos ao aprofundamento do golpe de consequências funestas e destrutivas de todo o futuro do Brasil, com danos irreversíveis à ecologia e ao tecido social. Afirma o entrevistado de PML: "Precisamos entender que "operador" de uma área está longe de ser apenas uma equipe técnica que cumpre determinações de quem obteve a concessão para pesquisar e explorar petróleo. Todas as empresas que participam de uma licitação vencedora, mesmo que não tenham a maioria das cotas, adquirem um status de "proprietário" das instalações, sistemas submarinos, navios de produção, equipamentos, tubulações de transferência. O operador é quem manda e desmanda. São as equipes do operador que, a bordo, embarcadas ou em terra, assumem a coordenação das operações. Também são elas que se apropriam, manuseiam e interpretam todos os dados de engenharia e geologia das rochas que produzem petróleo e gás natural dos sistemas implantados. Este sistema é cuidadosamente tratado pelo operador. Os segredos são guardados a sete chaves, pois são informações absolutamente confidenciais, apontam para novas descobertas e prioridades de investimentos".

Falando sobre as movimentações dos Estados Unidos no sentido de destruir os proprietários originários de petróleo a fim de abocanhar o chamado ouro negro Estella foi direto ao ponto, mostrando com fatos o que aconteceu a outros Países: "Entramos, assim, numa época em que a disputa pelo abastecimento de petróleo, até hoje responsável por 90% da energia que move a economia e a vida cotidiana do planeta, assume o caráter aberto de uma disputa militar permanente. Ela provocou a destruição da Líbia como país e como sociedade organizada. Idêntica situação viveu o Egito. O povo foi à rua e derrubou uma ditadura de 40 anos. O novo presidente, eleito democraticamente, só precisou murmurar que, em sua opinião, os contratos de gás natural do Delta do Nilo precisavam ser revistos, em benefício da população do país. Semanas depois, foi deposto e uma nova ditadura instalada no país. O que está acontecendo no Brasil, país que acabou de descobrir imensas reservas de seu petróleo e gás, as mais promissoras em 50 anos?"

O geólogo responde assim a sua própria pergunta: "Tudo o que os governos que representam as grandes empresas de petróleo desejam é retornar ao mundo anterior a 1971. Convém lembrar que nessa época toda resistência era vencida pela força, como aconteceu com o golpe que instaurou a ditadura pró-Estados Unidos de Reza Pahlevi, e na intervenção na Argélia," numa situação mais humilhante para o Brasil do que nos aconteceu durante a ditadura militar.

O estribilho da aventura imperialista, além do desvio de nossos recursos sob gigantesca corrupção, da destruição do eco sistema, será a perda de milhares de vidas jovens, dentre eles gênios que poderiam fazer de nosso País a potência de humanidade para o mundo.

Pergunto o que cabe a nós povo brasileiro fazermos para enfrentar essa situação? Uma possibilidade é a de virarmos cigarras secas. Pior do que as cigarras, que pelo menos cantam. Ou a alternativa dos parasitas que se grudam à frente da televisão vendo novelas, ou das avestruzes que enterram a cabeça num buraco quando surgem ameaças e a dos de espiritualidade alienada que se põem a orar à espera de milagres caídos do céu e que seja feita a vontade de Deus, até que as bombas comecem a cair sobre nossos cocurutos.

Outra é a de sairmos desunidos com paus, água quente, pedras, a cara e a coragem a fazermos desorganizadamente quaisquer coisas que nos exponham à riscos e a derrotas para os invasores e golpistas que não titubearão em matar e destruir vidas, como o fizeram os conservadores ao assassinarem quarenta mil cabanos no Pará para roubar os produtos da Amazônia entre os anos 1835-1840.

A postura mais consequente é a de participarmos de todas as lutas contra o golpe, principalmente a de ocuparmos o Senado para convencermos senadores e senadoras minimamente decentes de que o impeachment é a arma do golpe, letal para todos nós. E, depois, levantarmos o País numa greve geral a favor da democracia e pela salvação nacional, libertando-nos dos traidores e golpistas, esses que aí estão, prontos a entregar tudo o que temos e somos, desde que eles usufruam de propinas e de muito dinheiro por venderem ao diabo a nossa alma nacional.

Essas não são meras palavras, mas previsões sérias do que se encaminha contra a democracia e contra o Brasil.

Conheça a TV 247

Mais de Blog

Ao vivo na TV 247 Youtube 247