Votar em Bolsonaro é concordar que 65 milhões continuem sem trabalho

"O candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro, não tem nenhuma proposta concreta para gerar empregos, o problema mais urgente do País", aponta o jornalista Aquiles Lins, editor do 247; "Perguntado sobre o assunto ele tergiversa, gagueja, olha a cola na mão e não oferece propostas. Foi assim nas duas entrevistas que deu à Globo, foi assim nos debates. Sua única proposta para o problema gravíssimo é uma carteira de trabalho onde um contrato individual se sobrepõe ao que restou de direitos garantidos na CLT. Além de não ter solução, Bolsonaro pode aumentar ainda mais a massa de desempregados" 

Votar em Bolsonaro é concordar que 65 milhões continuem sem trabalho
Votar em Bolsonaro é concordar que 65 milhões continuem sem trabalho

O problema prático mais urgente que o próximo presidente do Brasil terá que combater é sem dúvida o desemprego. Segundo o IBGE, são 65,642 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho, grande parte delas simplesmente desistiu de procurar emprego.

40% daqueles que entram no mercado de trabalho hoje são pela informalidade, precarizados, sem nenhuma garantia, sem direitos. Ou se sujeita às atrocidades trazidas pela reforma trabalhista, como o trabalho intermitente, em que você ganha por hora.

Contra o flagelo do desemprego, potencializado pela sabotagem ao governo de Dilma Rousseff em 2015 e pelo posterior golpe parlamentar de 2016, o candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro (PSL), segundo colocado em intenções de voto, atrás do ex-presidente Lula, não tem nenhuma proposta concreta. Perguntado sobre o assunto, ele tergiversa, gagueja, olha a cola na mão e não oferece propostas. Foi assim nas duas entrevistas que deu ontem à Globo. 

Seu tutor para a economia, Paulo Guedes, vê como única solução para o País liquidar o patrimônio público para reduzir a dívida, sem mencionar absolutamente nada sobre a abocanhada do capital financeiro sobre o orçamento público. As despesas com o pagamento de juros, encargos e rolagem da dívida pública interna subiram de R$ 1 trilhão 285 bilhões em 2017 para R$ 1 trilhão 778 bilhões em 2018. Já o Orçamento total do Executivo, Legislativo e Judiciário aprovado pelo Congresso para 2018 é de R$ 3,5 trilhões. 

No plano de governo apresentado ao TSE, Jair Bolsonaro exagera em platitudes, demagogia e o máximo que propõe é a criação de "uma nova carteira de trabalho verde e amarela, voluntária, para novos trabalhadores", que permitiria aos jovens que ingressassem no mercado de trabalho – ele não diz como eles entrariam – poderiam escolher entre um vínculo empregatício baseado na carteira de trabalho tradicional ou um contrato individual prevaleceria sobre a CLT.

Ou seja, a única coisa que Bolsonaro oficialmente propôs para gerar emprego é piorar ainda mais o que restou da CLT. Neste cenário de terra arrasada, com a as empresas de engenharia praticamente destruídas pela Lava Jato, sem investimentos públicos em obras, com atividade produtiva estagnada, um jovem terá condições de impor sobre o patrão o seu desejo por um emprego formal? Além disso, e quanto à imensa parcela da população que não é jovem, que está desempregada, sem perspectivas de emprego? Para elas não há proposta do candidato Jair Bolsonaro.

Votar em Bolsonaro é concordar que 65 milhões de pessoas continuem sem trabalho.

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