Vou votar no Bolsonaro!

Há muita coisa por trás, tal como seu vice militar, que visa atender o clamor popular – ainda que absurdo – daqueles que vociferam por intervenção militar. Tudo muito bem construído e articulado. O terreno golpista segue seu curso

Vou votar no Bolsonaro!
Vou votar no Bolsonaro! (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Dispa-se de sua armadura raivosa e deixe de lado suas palavras de ódio. O papo agora é sério, e requer inteligência e discernimento.

Quem vos escreve não é um petista, nem comunista. Sou um professor, assalariado como provavelmente você também é. Tenho, inclusive, sérias críticas ao PT, por isso mesmo não me filio. Nem a nenhum outro partido, justamente para poder ser livre e crítico quando necessário for.

Precisamos falar sobre Bolsonaro. Talvez você tenha votado nele por algum motivo. Um deles pode ser o ódio ao PT – talvez esse ódio até tenha alguma razão, mas quase certeza que foi influenciado pelas publicações de jornais e revistas tendenciosos, assim como televisão, que sempre flertaram com interesses capitais e jogam (des)informações para que a massificação seja feita e todos acreditem que "é tudo culpa do PT". Não estou dizendo que o PT não tem culpa. Tem sim. Mas a injustiça feita é querer culpa-lo por toda podridão que começou bem antes de sua própria existência, e perpetuou-se no sistema.

Pode até me chamar de maluco ao fazer essa análise, mas farei mesmo assim: inventaram um crime contra Dilma, justamente porque ela não estava freando as investigações contra casos de corrupção. Dilma, honesta e íntegra em sus convicções, deixou escancarar tudo. Isso incomodou aos corruptos. A solução: criar a farsa do impeachment e "estancar a sangria".

Pois bem. A segunda parte do plano do golpe era lançar um candidato ao poder. Alinharam deputados e senadores – comprando os votos dos "moralistas" – para apoiar a farsa. Com o Supremo, não foi diferente – surgiu a estranha morte de Teori Zavascki cuja cadeira foi assumida pelo tucano Alexandre Moraes. Entrou Temer e a ruptura do plano de governo eleito pelo povo foi feita escancaradamente – "mas vocês que elegeram Temer". Começaram as mudanças pontuais, como o diretor da Polícia Federal e a indicação de Raquel Dodge à Procuradoria-Geral da República – ignorando a lista de preferências dos procuradores. Aparelhamento do Estado que fala, né?

A política neoliberal – aquela mesma derrotada nas urnas – começa a se mostrar: altas dos preços, oscilação desumana do preço dos combustíveis e gás natural, desemprego atingindo níveis cada vez mais alarmantes, e a falsa promessa da "ponte para o futuro" prometida para o vocês que apoiaram o "impeachment", de repente mostra-se um pinguela que desabaria a qualquer momento.

Mas não pararia por aí. A dívida com a CNI, FIESP e demais empresários que venderam a mesma farsa, ainda precisava ser paga. Eis que entra na pauta a votação da Reforma Trabalhista. Os direitos conquistados foram escrachados e tratados como vilões. Muito trabalhador comprou a ideia e apoiou a perda de direitos. O "carro-chefe" foi atacar o imposto sindical, imputando na cabeça das pessoas que reduzia o salário e não servia para nada – porém, não falaram o que mais seria tirado.

Isso foi feito em dois anos de (des)governo Temer. A segunda parte do golpe seria eleger o candidato da direita. O plano A, candidato do PSDB, na figura de Geraldo Alckmin, mas seu desgaste foi grande pelas revelações nos escândalos da "Máfia da Merenda" e nos escândalos do Rodoanel, associado com a decepção/traição do próprio partido. Partido este que se apequenou ao não aceitar a derrota nas urnas e por não ter a preferência dos eleitores. Restava, portanto, o plano B: o falastrão Bolsonaro. Um sujeito declaradamente homofóbico, racista, misógino, defensor da tortura e elitista. Sob a batuta de um pseudopatriotismo – que prega inclusive a redução do Estado na própria economia e a privatização de riquezas nacionais como o Pré-Sal – e a absurda conexão com a religião, ignorando o princípio de que o Estado é laico, o tal sujeito virou o "mito". Um candidato que pulou vários partidos nanicos, na tentativa de desvincular-se dos casos de corrupção – mas não conseguiu apagar o passado, nem seu nome na Lista de Furnas, ou a propina recebida pela JBS em uma artimanha tramada com seu partido, e muito menos uma explicação lógica para o expressivo aumento de patrimônio em mais de 432% em alguns anos. Ou seja, o "mito" que foi vendido para o povão, não é diferente do que temos aí. Ou melhor, é sim. Afinal, não tem conhecimento algum de política – sem qualquer exagero na colocação! – e apesar anos na vida pública, subsidiado por salário estratosférico e benefícios diversos bancados pelo Estado, mostrou-se um parlamentar insignificante, sem qualquer expressividade. Mas muito contraditório e incoerente em suas votações "lesa pátria".

Bolsonaro em si não é o perigo real. Vejo em sua pessoa, um Trump com alguns parafusos a menos. E aí que está o perigo. Trump, foi bancado pelos sionistas e bancários – tanto que sua primeira atitude ao assumir a presidência foi mudar a embaixada dos EUA para Jerusalém, contrariando a própria orientação da ONU. Mas essa era sua dívida. Bolsonaro não será diferente. Há muita coisa por trás, tal como seu vice militar, que visa atender o clamor popular – ainda que absurdo – daqueles que vociferam por intervenção militar. Tudo muito bem construído e articulado. O terreno golpista segue seu curso.

Com o término do primeiro turno das eleições, isso ficou ainda mais evidente. A surpreendente eleição de deputados e senadores das bancadas da bala, da bíblia e ruralista, mostra que Bolsonaro entrando, conseguirão aprovar todos os projetos propostos por esse sujeito e toda sua trupe.

(Não serei leviano aqui em levantar suspeita nesses votos, mas é surpreendente que muitos sequer apareciam em pesquisas eleitorais, enquanto outros que lideravam, de repente não responderam às expectativas.)

Um desses projetos que poucos estão acreditando – e parecem preferir pagar para ver – é a extinção do 13º salário e 1/3 de férias dos trabalhadores. A fala do general Mourão, justamente para empresários, não era para vazar. Mas vazou. Imediatamente, o economista Paulo Guedes foi indagado e desconversou. Bolsonaro, ainda sem coragem de participar dos debates alegando afastamento médico por conta de uma tal facada – que sinceramente não acredito até agora e até já escrevi sobre isso no post "Milicos, golpes e fakeada" – foi até seu vice e o reprimiu. Não adiantou. Em um ato subversivo, dias depois, o tal general voltou a defender o fim desses direitos trabalhistas.

"Ah, mas isso é inconstitucional...é um direito que não pode ser mexido...requer aprovação do Congresso....uma nova Constituição", poderia argumentar. Pois ligue os pontos. Eles querem extinguir. Eles elegeram maioria no Congresso. Eles propõem uma nova Constituição. Entendeu? Ainda duvida que você também será afetado por isso?

"Ah, mas ele é contra o aborto!". Ótimo! Ele e você podem continuar sendo contra o aborto! Legalizar o aborto, não é algo que deve ser visto com olhar da religião – lembre-se: o Estado é laico! – mas sim como uma questão de saúde pública. Veja bem: se uma mulher decide fazer aborto, ela vai fazer de qualquer jeito. Se ela não acha isso certo, e tem seus princípios religiosos, é escolha dela. A questão é que muitas mulheres de baixa renda, quando optam pelo aborto clandestino – uma vez que não é legalizado – acabam por gerar mais problemas ao sistema de saúde, como por exemplo, dar entrada em hospital com sérios quadros de hemorragia e/ou infecção. (E por falar em Bolsonaro: sabia que ele, "cristão" e defensor da família e da vida, apresentou um projeto de lei – PL 6055 – que desobriga o SUS atender mulheres vítimas de estupro e abuso sexual?). A questão de descriminalizar o aborto, apenas garantirá que mulheres tenham a opção de fazê-lo – após um acompanhamento psicológico, obviamente – de forma segura. Resumindo: quem é contra o aborto, poderá continuar defendendo seu ponto de vista e não realizar o mesmo, ok?

"Ah, mas por que ela quis engravidar? Por que não evitou?". Então, para isso, deve-se ter maior investimento em educação e poder falar abertamente sobre assuntos considerados tabus. Mas sabe o que Bolsonaro e sua bancada defendem? A ridícula proposta da "Escola sem partido", que proíbe que nós, educadores, tratemos de assuntos como sexualidade, o que visa exatamente a conscientização dos jovens.

Bolsonaro não apresenta propostas condizentes com as reais necessidades de nosso país. Falar jargões que agradam e iludem o povão, é fácil. E perigoso. O correto mesmo, que seria apresentar propostas para a Educação, para a Saúde e para a própria Economia, esse sujeito não tem. Seu Plano de Governo é vazio – seria o reflexo de sua cabeça? – e cheio de propostas alarmantes: armamento dos latifúndios, conter o avanço da esquerda (pasmem!), extinção de ministérios essenciais (como da Cultura e do Meio Ambiente, por exemplo), liberação da caça, redução da maioridade penal, extinção das cotas raciais, militarização das escolas e ensino à distância desde o Ensino Fundamental! Em relação a população LGBT, não há proposta alguma, mesmo o Brasil sendo o país que mais mata essas pessoas. E por falar em matar, quer dar o "princípio excludente de ilicitude" para todos os policiais. Sabe o que isso significa? Que não sejam punidos caso matem alguém durante uma operação – não se esqueça que nossa polícia já é uma das que mais mata em todo o mundo!

A ascensão dessa figura patética e nazifascista que representa Bolsonaro é um perigo para nosso país. O mundo está falando sobre isso. Editoriais e matérias de jornais conceituados como "El País", "The New York Times", "The Washington Post", "Financial Times", "The Guardian", "Le Monde Diplomatique" e revistas como "The Economist" são alguns desses exemplos. Perigo esse que afetará também as relações internacionais, com já declararam vários cientistas políticos e parlamentares de outros países, o que poderá isolar o Brasil economicamente – sob o verdadeiro risco de virarmos uma Cuba ou Venezuela!

A pergunta que faço: será que as pessoas que até então optaram por votar nesse candidato, têm noção dessas informações? Ou se baseia apenas em memes e fake news? Precisamos tornar isso público, informar e alertar a população. A tática – suja e criminosa – que Bolsonaro utiliza é típica dos nazistas. Como disse Joseph Goebbles, então ministro da Propaganda de Adolf Hitler, "temos que fazer o povo crer que a fome, a sede, e a escassez e as enfermidades são culpas de nossos opositores e fazer que nossos simpatizantes repitam isso a todo momento (...), afinal, uma mentira repetida mil vezes, torna-se verdade". Basta lembrarmos do fantasioso "kit gay". Quantos não acreditaram nisso?

Estamos em um dos momentos mais críticos de nossa jovem democracia. O analfabetismo político e a massificação de ignorantes úteis, que acreditam em correntes do WhatsApp, sem um mínimo de discernimento, está ameaçando nosso futuro. Por isso convocamos antipetistas, petistas, protetores dos animais, cristãos, ateus e acima de tudo, os defensores da Democracia e da Liberdade para darmos um basta nessa onda fascista que ameaça nosso país. Dia 28 não será a escolha entre dois candidatos e/ou dois partidos, será a escolha entre a democracia e a barbárie!

Em tempo: quanto ao meu voto, dito no título deste artigo, ele é tão verdadeiro quanto as "notícias" que bolsonaristas divulgam e proliferam pelas redes sociais e correntes de WhatsApp. Jamais votaria em um sujeito como ele, não apenas pelo que representa, mas pela total incapacidade que tem em dirigir uma nação de forma racional e com inteligência.

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