Weintraub: açodamento e fuga

O tempo que decorreu entre a certeza da exoneração e sua consumação não foi para a escolha de substituto, como aventado, mas para dar tempo dele fazer as malas e arquitetar esta escandalosa fuga

Abraham Weintraub
Abraham Weintraub (Foto: Alessandro Dantas)
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Descaradamente o sinistro Abraham Weintraub fugiu do país com o beneplácito e até ajuda do governo federal. Os crimes adicionados à vasta ficha policial do ex-ministro são vários:

1. Se viajou com passaporte diplomático – que é a conclusão mais provável – estava em missão oficial, e sua viagem, com detalhes de destino e propósitos, deveria ter sido autorizada e publicada em Diário Oficial, como acontece com todo e qualquer servidor público;

2. Com as restrições de voos e ingresso de brasileiros nos Estados Unidos, qual foi o meio de transporte usado por ele? Se avião da Força Aérea Brasileira, como também parece o mais provável, remete à co-responsabilidade da Presidência da República em autorização e viabilização de tal ato;

3. Como é parte averiguada em dois processos no STF, sua saída do país deveria ser devidamente comunicada à Justiça, com indicação de endereço no exterior e período em que ficará fora. Nada disso foi feito.

4. Crime mais leve, mas não menos constrangedor, afirmou que usaria os próximos dias para fazer a transição para seu sucessor. Uma mentira a mais.

Aquele 18 de junho em foi ele próprio anunciou a saída do governo foi uma data marcante. Os Químicos comemoram seu dia e essa foi mais uma das transformações havidas, junto com a prisão de Fabrício Queiroz. Enquanto especulava-se se o operador das rachadinhas seria protagonista de ‘delação premiada’ ou se ‘queima de arquivo’, vinha a público o estapafúrdio vídeo em que Weintraub disse o que disse e forçava um abraço com Bolsonaro. Uma data inesquecível na memória.

Sua saída do Ministério da Educação é comemorada por todos, mas para ser devidamente responsabilizado pelos crimes já praticados, não para fugir de mais essa responsabilidade. O tempo que decorreu entre a certeza da exoneração e sua consumação não foi para a escolha de substituto, como aventado, mas para dar tempo dele fazer as malas e arquitetar esta escandalosa fuga.

Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp

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