Witzel: a renúncia seria a única saída

"Witzel lidera um governo moribundo. Assiste inerte a decomposição moral de sua administração sem nada poder fazer, pois a maior acusação repousa em seu própria esposa. A renúncia seria a sua única saída", analisa o jornalista Ricardo Bruno

(Foto: Reprodução | ABr)
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O contrato entre a primeira-dama, Helena Witzel, com uma das empresas do maior fornecedor do estado, Mário Peixoto, revelado pela Operação Placebo, põe fim ao governo Wilson Witzel, ainda que ele sobreviva por mais algum tempo. Inspirado nas práticas de Adriana Anselmo, esposa de Sérgio Cabral, a peça contratual formaliza a relação promíscua entre o empresário – notório corruptor na administração pública carioca – e a família Witzel. 

Se as suspeições girassem em torno de secretários e colaboradores, poder-se-ia alegar quebra de confiança, deslealdade e quejandos. Como o núcleo central das investigações é a esposa do governador, não há como terceirizar a responsabilidade. Esposas podem trair em relações pessoais, por paixões fortuitas. Em negócios pactuados em contratos com fornecedores do governo comandado pelo marido, não há chance. 

A operação da PF revela as razões do perturbador silêncio de Witzel diante das acusações. Explica os motivos pelos quais o governador, apesar das evidências, recusou-se a demitir os colaboradores envolvidos, a começar pelo secretário Lucas Tristão, principal elo entre o Palácio Guanabara e o sucessor de Artur Soares no comando da máfia dos contratos governamentais, o empresário Mário Peixoto. Witzel e Helena são indissociáveis do ponto de vista moral. 

Sem projetos para o estado, sem recursos para a gestão, sem base popular, sem maioria da Alerj, com inimigos na administração federal e agora também sem credibilidade, Witzel lidera um governo moribundo. Assiste inerte a decomposição moral de sua administração sem nada poder fazer, pois a maior acusação repousa em seu própria esposa. A renúncia seria a sua única saída.

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