Xeque-mate

Quando o povo não tem pão e está faminto, isso é prioritário; e o nome do vice deve assumir sua desimportância real

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(Foto: Ricardo Stuckert | ABR)
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Em tempos de normalidade democrática, os políticos costumam construir um arco de alianças eleitorais dentro de suas próprias bases ideológicas.

Porém, em tempos de guerra, quando a paz e a democracia estão sob ataque sistemático de forças autoritárias, torna-se imperioso ampliar o leque de alianças, para além de nossas “bolhas” para o enfrentamento de um inimigo comum.

Rememorando a História, assim foi, durante a Segunda Guerra Mundial, quando o inimigo comum era o nazismo de Adolf Hitler e “os três grandes” se reuniram em Teerã, em 1943, para traçar uma estratégia de guerra que derrubasse o III Reich e recuperasse a paz e as democracias vilipendiadas.

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Os três aliados opostos eram Winston Churchill, aristocrata e primeiro-ministro do Reino Unido, Franklin Delano Roosevelt, presidente dos Estados Unidos da América, que nutria um forte sentimento de antipatia pelo império britânico e Joseph Stálin, o ditador soviético, com quem os dois anteriores tinham profundas divergências.

Teria sido uma aliança no mínimo esdrúxula, em tempos de paz. Mas, quando a normalidade não se faz presente, quando um inimigo maior nos ameaça a todos, é necessário um olhar mais amplo, para além de nossos horizontes. 

Então, é o momento de esquecermos nossas divergências individuais para abraçar nossas convergências, em benefício do coletivo e de um bem maior. E isso exige grandiosidade,  inteligência e perspicácia.

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O Brasil passa agora por um momento dramático, “como nunca antes na História desse país”.

Desde as tais “Jornadas de Junho” de 2013, estamos vivenciando uma guerra híbrida interna, com digitais externas, cujas consequências são por demais conhecidas, nacional e internacionalmente: o golpe, travestido de impeachment, que destituiu a Presidenta Dilma Rousseff, legitimamente eleita, sem crime algum; a prisão ilegal do Lula para aliená-lo do processo eleitoral de 2018, quando ele liderava todas as pesquisas de intenção de votos para a Presidência da República; e a ascensão do candidato fascista Jair Bolsonaro.

Desde então, assistimos diuturnamente e estarrecidos, ao desmonte do Estado brasileiro, à destruição da Amazônia, ao genocídio dos povos originários e da população negra, jovem e periférica, às mais de 600 mil vidas perdidas para a COVID-19,por má administração da crise sanitária, ao desrespeito sistemático aos Direitos Humanos, ao desemprego, ao racismo, à misoginia e à homofobia; à fome, à miséria e à inflação crescente, ao tempo em que “tenebrosas transações” se viabilizam na penumbra, com a complacência de um Judiciário e um Legislativo ineptos. 

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Estamos num cenário de terra arrasada e aguardamos as eleições de 2022 lutando contra duas candidaturas fascistas:  Bolsonaro e Moro, este último ainda mais letal que o primeiro, por suas evidentes ligações com a CIA e o Sistema de  Justiça norte-americano.

Lula, agora inocentado pelo STF e com seus direitos políticos recuperados, é pré-candidato favorito à Presidência da República e isso renova nossas esperanças no futuro. 

O imperativo do momento é ganhar as eleições de 2022 para recuperar nossa democracia e reerguer essa, que já foi a 6ª economia do mundo nas gestões petistas e hoje amarga uma desonrosa 12ª posição.  

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Nos últimos dias, Lula surpreendeu a todos sugerindo o nome do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (ex- PSDB), para ocupar a vaga de vice na sua chapa e causou um “abalo sísmico” de grandes proporções no cenário político nacional, à direita e à esquerda.

Lula é um político hábil e tem uma visão macro da política. Sabe que precisamos de uma aliança, o mais ampla possível, para vencer as eleições e sobretudo, para governar. Não venceremos e não governaremos sozinhos. Aceitem, que dói menos.

E nessa direção, caminham as federações que podem garantir a vitória nas urnas, mas também, dará maior estabilidade a um eventual governo Lula, além de garantir a aprovação de matérias importantes para recuperar nossa economia e melhorar a vida do nosso povo.

A ideia de ampliar o arco de alianças para a centro direita é um golpe de mestre do Lula. Um “touché”, um xeque-mate no campo adversário e demonstra a habilidade política do grande estadista que ele é.

Há muitas controvérsias sobre o nome do Alckmin, e não apenas pelo seu “background”, mas também porque, caso ele venha a integrar o PSB, continuaríamos dentro da nossa “bolha” esquerdista, ainda mais agora com a criação da federação; e isso sem falar nas imponderáveis exigências da legenda. Não seria sensato renunciar à candidatura do Haddad ao governo de São Paulo, quando ele aparece liderando a corrida. 

Estamos numa guerra. É preciso que o povo brasileiro tenha essa consciência, para perceber que guerra é guerra e exige estratégias, às vezes anômalas. O Lula é absolutamente imprescindível para derrotar o fascismo, recuperar nossa democracia, reerguer nossa economia e reconstruir uma sociedade mais justa e fraterna, pautada em valores éticos e civilizatórios.

Quando o povo não tem pão e está faminto, isso é prioritário; e o nome do vice deve assumir sua desimportância real.

À luta! Lula Presidente 2022!

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