À beira do abismo, Eike deve ganhar Maracanã

Consórcio liderado por empresário campeão em perdas na Bolsa de Valores em 2013 faz proposta de R$ 181,5 milhões por exploração, por 35 anos, do estádio símbolo da paixão nacional pelo futebol; oferta foi R$ 26,4 milhões maior que a do único concorrente; envelopes com indicação de valores a serem pagos ao governo do Rio de Janeiro foram abertos hoje no Palácio Guanabara; licitação é suspeita de ter sido montada com ajuda do próprio Eike; resultado final ainda não saiu, e levará em consideração outros fatores, mas tudo parece desenhado para dar Batista na cabeça

À beira do abismo, Eike deve ganhar Maracanã
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247 - Em meio à derrocada econômica do Grupo EBX, holding de empresas que lidera as perdas na Bolsa de Valores em 2013, com esfarelamento de até 90% de seu valor de mercado, o empresário Eike Batista, comandante da derrota empresarial, está comemorando um gol. Um tento polêmico, como praticamente tudo o que ele tem feito, mas que pode salvá-lo do ostracismo e, especialmente, garantir a opulência de sua pessoa física pelos próximos 35 anos. Na manhã de hoje, durante abertura no Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro, dos envelopes com os valores oferecidos pela exploração da concessão, pelas próximas três décadas e meia, Eike jogou como gosta: de maneira grandiosa e descompromissada. O consórcio liderado por ele bateu em R$ 26,4 milhões a oferta feita pelo único concorrente, um conglomerado de empresas que inclui a empreiteira brasileira OAS e duas firmas estrangeiras, uma holandesa e outra francesa. Com seus parceiros Odebrecht Participações e AEG, de origem americana, Eike, por meio da sua IMX, levou a melhor R$ 5,5 milhões anuais, também em 33 parcelas (R$ 181,5 milhões) contra  R$ 4,7 milhões por ano, também em 33 parcelas (R$ 155,1 milhões no total), do concorrente.

Em tempo: o vencedor só pagará ao governo fluminense a primeira parcela do prometido no envelope após o terceiro ano de exploração do Maracanã, totalmente reformado com dinheiro público, a um custo estimado em R$ 1 bilhão. Como dizem os europeus, só mesmo o Brasil para jogar um futebol tão diferenciado!

Enquanto a partida se encerrava nos salões centenários do executivo fluminense, do lado de fora, sem poder ver o jogo de perto, dezenas de manifestantes protestavam contra as regras da licitação e a própria privatização do estádio. "O Maraca é nosso", registrava uma faixa em verde e amarelo. Nada capaz, porém, de sensibilizar o governador Sérgio Cabral, espécio de cartola a supervisionar o espetáculo, cujo juíz é uma comissão de licitação. "O Estado não tem competência para administrar o Maracanã", cravou ele, encerrando a discussão e botando a licitação na rua.

Por que, no entanto, 35 anos de concessão. Considerado longo demais, o prazo, acredita-se, teria sido uma sugestão do próprio Eike, de quem o governador Cabral costuma tomar o jatinho emprestado para voos, muitas vezes, sem destino certo. "O avião é meu e empresto para quem eu quiser", diz, repete e sustenta Batista. Nada como ser presidente de um time, jogador e amigo do, digamos, presidente da federação, não é mesmo?

A regra é clara num ponto: a proposta de valor pela concessão não é o ponto que irá definir, por si só, o vencedor da licitação. Outros fatores, como a capacidade de administração do estádio, terão seu peso. Mas depois da partida de hoje, pouca gente duvida que a goleada de Eike está desenhada.

A Comissão Especial de Licitação instituída para cuidar do processo é formada por Luiz Roberto Silveira Leite (presidente) e Angela Crespo (primeira-secretária), ambos da Casa Civil, e Sandra Vigné Lo Fiego, representante da unidade de PPP (parceria público-privada) da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag). A decisão final deve ser divulgada nos próximos dias.

 

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