A “porra da árvore” tem de ser protegida da mineração predatória, diz Fernando Brito

"Mineração de ouro – e ninguém precisa falar do que ocorre nos acampamentos de homens de olhos rútilos pela ambição – exige planejamento e fiscalização e não o envio de tropas do exército para fazerem um perímetro e deixar que dentro do garimpo se forme um inferno", diz o editor do Tijolaço

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Por Fernando Brito, do Tijolaço – Jair Bolsonaro, na sua cota diária de grosseria, disse hoje que “o interesse na Amazônia não é no índio nem na porra da árvore, é no minério.”

Verdade, sim, mas meia verdade, porque uma imensa parcela da população e outra, na opinião pública mundial, estão, sim, interessadas “na porra da árvore”.

Mas há o que estão interessados no minério existem e são, na grande maioria, grande empresas estrangeiras.

Sim, o ouro é um importante produto mineral brasileiro, o segundo, com 16% do valor da produção mineral metálica, abaixo dos 64% representados pelo minério de ferro, dados de 2016.

Só que 88% do ouro produzido no Brasil é extraído por grandes empresas e só 12% por garimpeiros.

E estas grandes empresas não são brasileiras: Kinross (23,4% da produção); Anglogold Ashanti (19,3%); Beadell (australiana, agora controlada pela Great Panther Silver, com 7%); Serra Brande (controlada pela Anglogold, com 7,2%); Jacobina (da Yamana Gold, canadense, com 5,5%) e Pilar de Goiás (da canadense Leagold Mining, com 4,1%) para ficar nas maiores.

Entre elas, só a Vale (via Salobo, comprada à Anglo American Brasil em 2002) aparece, com 7,6%.

A mineração de ouro é das que mais implica movimento de terra.

O Run of Mine, a quantidade de solo movimentada na extração mineral na mineração de ferro é de 559 milhões de toneladas para produzir 307 milhões de toneladas de minério. O ROM do ouro é de 149 milhões de toneladas de solo para produzir 78 toneladas de minério. Isso, “sem” mil, que ouro é raro e devastador.

É portanto, imensamente maior – mesmo a quantidade buscada de minério buscada também sendo – devastadora do ponto de vista ambiental.

Os cuidados com a mineração de ouro têm de ser redobrados, ainda mais porque o método de usar mercúrio para agregar as micropartículas de outro e torná-las identificáveis.

Portanto, mineração de ouro – e ninguém precisa falar do que ocorre nos acampamentos de homens de olhos rútilos pela ambição – exige planejamento e fiscalização e não o envio de tropas do exército para fazerem um perímetro e deixar que dentro do garimpo se forme um inferno.

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