Advogados de Lula dizem que Petrobras sabota defesa do ex-presidente

"Os advogados do ex-Presidente Luiz Inacio Lula da Silva tentam ter acesso aos documentos da Petrobras que estão relacionados à absurda narrativa feita na denúncia contra seu cliente, desde outubro de 2016", dizem, em nota, os advogados Cristiano Zanin e Valesta Teixeira Martins; segundo eles, "a defesa não teve acesso aos documentos que provam que Lula nunca participou de nenhum ato dentro da companhia que pudesse remotamente comprovar algo ilícito"; sob o comando de Pedro Parente, indicado pelo PSDB a Michel Temer, a Petrobras se tornou assistente da acusação ao ex-presidente e não fornece documentos solicitados pela defesa, alegando segredos de negócio

ex-presidente Dilma Rousseff em ato de apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após este prestar depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba
ex-presidente Dilma Rousseff em ato de apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após este prestar depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba (Foto: Leonardo Attuch)
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247 – Os advogados Cristiano Zanin e Valeska Teixeira Martins, que fazem parte da equipe do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusam a Petrobras de sabotar a defesa.

No governo de Michel Temer, a Petrobras é comandada por Pedro Parente, indicado ao cargo pelo PSDB, que liderou o golpe de 2016. 

Leia, abaixo, a nota dos advogados:

Os advogados do ex-Presidente Luiz Inacio Lula da Silva tentam ter acesso aos documentos da Petrobras que estão relacionados à absurda narrativa feita na denúncia contra seu cliente, desde outubro de 2016. É importante registrar que a Petrobras é assistente da acusação. Em 28/4/2017, a companhia protocolou petição na qual nega à defesa o acesso a todas as atas da Diretoria Executiva, no período de 2003 a 2014, conforme havia sido solicitado. Junta apenas as atas que considerou "referentes”, como qualificou, "às questões discutidas nos autos, ou seja, os contratos das obras”.
 
Sustenta, na petição que, por ser uma sociedade de economia mista,“exploradora de atividade econômica, sujeita ao regime próprio das empresas privadas (CF, art. 173) e, consequentemente, à concorrência de outras empresas no Brasil e no exterior (...) não se pode conceber, por exemplo, que os segredos de negócio como a estratégia de exploração do pré-sal sejam devassados e expostos para que empresas concorrentes possam deles se utilizar."
 
O que a defesa questionou ontem – e foi registrado pela advogada Valeska Martins à imprensa, em Curitiba – é que, enquanto o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a assistente de acusação têm acesso a todo e qualquer material da empresa para usar na ação, isso é negado à defesa de Lula. Não se trata de conhecer apenas materiais selecionados – como a ata a que se referiu a Força Tarefa - o que fere a garantia da paridade de armas.
 
Valeska disse que a defesa não teve acesso aos documentos que provam que Lula nunca participou de nenhum ato dentro da companhia que pudesse remotamente comprovar algo ilícito. (...) Precisamos ter o mesmo acesso, a mesma  igualdade e a condição de provar [a inocência de Lula], o que esta sendo negado à defesa.”
 
Entendemos assim que a nota hoje divulgada pela Força Tarefa é um factóide. O lawfare contra Lula não poupa nem mesmo seus advogados.
 
Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Martins

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