Afrânio: Moro e procuradores pensam que o povo acredita em duendes?

Se o ex-juiz Sérgio Moro e procuradores da Lava Jato "dizem que seus celulares foram 'atacados' ilegalmente, deveriam aceitar como verdadeiras as conversas deles subtraídas, aliás muito peculiares e muito específicas, tratando de temas que só eles sabiam !!!", escreve o jurista Afrânio Silva Jardim; "Se alguém fosse inventar o teor das conversas, forjaria interlocuções mais contundentes e mais diretas, que demonstrassem, desde logo e sem contestação, o conluio entre juiz e acusadores"

(Foto: Reprodução (Youtube))

Por Afrânio Silva Jardim, em seu Facebook 

O SITE "THE INTERCEPT BRASIL" E A LAVA JATO.

Sejamos lógicos:

1) Se as conversas publicadas pelo referido site não fossem verdadeiras, como questionam o ex-juiz e os procuradores da república, porque iriam inventar conversas que pouco comprometem (sic), como dizem eles ???

2) Se eles dizem que seus celulares foram "atacados" ilegalmente, deveriam aceitar como verdadeiras as conversas deles subtraídas, aliás muito peculiares e muito específicas, tratando de temas que só eles sabiam !!!

3) Se alguém fosse inventar o teor das conversas, forjaria interlocuções mais contundentes e mais diretas, que demonstrassem, desde logo e sem contestação, o conluio entre juiz e acusadores.

4) Será que eles não negam a autenticidade, mas apenas dela duvidam, porque sabem que uma simples perícia de confrontação das respectivas vozes será suficiente para desmascará-los ???

5) Será que estão arriscando a sua credibilidade e honestidade intelectual para que o S.T.F. não anule o processo do ex-presidente ??? Neste caso, restaria a hipótese de conluio acusatório que eles insistem em negar ...

6) Se os diálogos noticiados pelo mencionado site não fossem verdadeiros, como explicar que tudo o que ali está dito corresponde aos fatos passados e futuros relacionados às conversas insólitas ??? Por exemplo: a nota depreciativa à defesa do ex-presidente Lula, sugerida pelo então juiz, efetivamente foi elaborada e publicada, com a ênfase também resultante do aconselhamento do magistrado.

7) Por que um juiz tomou a iniciativa de falar com os acusadores sobre a atividade destes, mormente utilizando mecanismos sigilosos (aplicativos).

Em 31 anos de Ministério Público, nunca recebi sequer um telefonema de algum magistrado para falar sobre a minha atividade persecutória, mesmo trabalhando, por 16 anos no Tribunal do Júri, que tem suas complexidades e peculiaridades.

Também nunca liguei para um magistrado para comentar sobre algum processo. Isto vale, a toda evidência, também para contatos pela internet.

Conversas sempre foram no forum e presenciais; por vezes em outros locais públicos (por exemplo: restaurantes)., Sequer adiantava para os juízes-presidentes do Júri se iria ou não sustentar o então existente Libelo Acusatório. Nunca fiz acordos com a defesa.

Por que não agiram de forma irrepreensível, como lhe era exigido ???

8) Enfim, será que eles pensam que o povo é ingênuo e acreditam em duendes e papai noel ???

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