Ministros de Bolsonaro dão versões diferentes sobre reunião que articulou golpe de Estado em maio

Ministros dão versões contraditórias sobre reunião de 2 de maio na qual Bolsonaro articulou com generais um golpe de Estado com o fechamento do STF. Projeto foi frustrado, mas o país esteve à beira de um golpe militar

Jair Bolsonaro, fachada do STF e Forças Armadas
Jair Bolsonaro, fachada do STF e Forças Armadas (Foto: Reuters)
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247 - Os ministros de Jair Bolsonaro deram versões divergentes sobre a reunião entre o presidente e a cúpula das Forças Armadas em 2 de maio, às vésperas da participação de Bolsonaro em ato antidemocrático. Segundo reportagem da revista Piauí, o tema do encontro foi a articulação de golpe do Estado com fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) pelas Forças Armadas.

A coluna Painel da Folha de S.Paulo informa que houve pelo menos três versões diferentes sobre a reunião, em resposta a  um pedido de esclarecimentos do deputado Ivan Valente (PSOL) com base na Lei de Acesso à Informação.

Todas as respostas dos participantes foram convergentes apenas em um aspecto: não houve convite formal (apenas verbal) nem ata do encontro.

Veja as diferentes versões, que indicam claramente que as versões sobre a reunião são mentirosas e buscam esconder seu real objetivo:.

1. A versão que parece ser mais próxima do que de fato aconteceu foi a do general Braga Netto, ministro-chefe da Casa Civil, coincidente com a de Pedro Cesar Nunes Ferreira, do gabinete pessoal de Bolsonaro. Ambos responderam que o encontro  tratou de "assuntos institucionais afetos às atribuições dos órgãos ali representados".

2. O general Fernando Azevedo, ministro da Defesa, disse que foram discutidos "aspectos relacionados ao enfrentamento da Covid-19".

3. O general  Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, afirmou que foi discutida "a participação das Forças Armadas no combate ao desmatamento da Amazônia".

No dia seguinte à reunião, em 3 de maio, domingo, Bolsonaro  disse que não teria mais diálogo com o Supremo. Ele mostrava irritação com a decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes de barrar a nomeação de Alexandre Ramagem, amigo de seus filhos, para a Direção-Geral da Polícia Federal.

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