Ameaçado, jornalista que denunciou 'Dia do Fogo' no Pará diz ter medo de morrer

Dono de um pequeno jornal que circula quinzenalmente em Novo Progresso, município do Pará com 27 mil habitantes às margens da BR-163, o jornalista Adécio Piran, 56 anos, é taxativo: “Tenho medo de morrer”, afirma. Ameaçado, o repórter publicou informações sobre o Dia do Fogo, quando a cidade registrou um aumento de 300% no número de incêndios

(Foto: Reprodução)

247 - Dono de um pequeno jornal que circula quinzenalmente em Novo Progresso, município do Pará com 27 mil habitantes às margens da BR-163, o jornlista Adécio Piran, 56 anos, é taxativo: “Tenho medo de morrer”, afirma.

O repórter passou a sofrer ameaças em grupos de WhatsApp e difamações em panfletos distribuídos nas ruas com sua imagem por ter denunciado que produtores rurais locais haviam organizado o Dia do Fogo. O município, a 1.650 km de Belém, é dominado por grupos de madeireiros e é um dos recordistas em queimadas. A cidade tem passado histórico de conflito entre índios, produtores rurais, garimpeiros e madeireiros.

O jornalista relata que começou a sofrer ameaças após publicar informações sobre o Dia do Fogo, quando Novo Progresso registrou um aumento de 300% no número de incêndios, na comparação com o dia anterior. Nesse dia foram registrados 124 episódios de fogo, um recorde de ocorrências até então. No dia seguinte, 11 de agosto, o número de focos saltou para 203. 

“Trabalhamos numa região que diversificada em vários aspectos. Temos aqui área de proteção ambiental, garimpeiro, fazendeiro, produtor rurais e o especulador de terra. Tudo isso aqui misturado”, afirmou. Seus relatos foram publicados em matéria de João Valadares, no jornal Folha de S.Paulo.

Nesta segunda-feira (2), Piran retomou a rotina de trabalho. Agora, acompanhado de uma escolta da Polícia Militar. “Tem que ser, né?”.

O País amarga uma de suas maiores crises ambientais de sua história. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) havia alertado que a destruição aumentou 88% em junho e 278% em julho na comparação com iguais períodos de 2018. Por consequência o Brasil está ameaçado de boicote aos seus produtos.





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