Apex era 'jardim da infância' sob influência do filho de Bolsonaro, diz embaixador demitido

Exonerado da presidência da Apex, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimento, o embaixador Mario Vilalva disse que estava “administrando um jardim de infância”; o embaixador também considera a empresária Letícia Catelani, diretora de Negócios da agência, uma pessoa “infantil e despreparada para o cargo”

Apex era 'jardim da infância' sob influência do filho de Bolsonaro, diz embaixador demitido
Apex era 'jardim da infância' sob influência do filho de Bolsonaro, diz embaixador demitido

247 - Exonerado da presidência da Apex, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimento, o embaixador Mario Vilalva disse à Revista Piauí, durante uma conversa telefônica, que estava “administrando um jardim de infância”.

O embaixador também considera a empresária Letícia Catelani, diretora de Negócios da agência, uma pessoa “infantil e despreparada para o cargo”. De acordo com Vilalva, ela é “protegida” do chanceler Ernesto Araújo. 

O embaixador citou um episódio que lhe incomodou: após uma reunião com Catel e com o diretor de Gestão Corporativa, Márcio Coimbra, também indicação de Bolsonaro filho, ficou acertado que eles assinariam um contrato com a empresa Terroir para a contratação dos irmãos Campana, dois conhecidos designers brasileiros, para ser a atração principal do estande brasileiro na feira de móveis e design de Milão, na Itália.

Vilalva afirmou que esperou por ela, que não apareceu, mas quando conseguiu contatá-la, ela informou que estava fora da agência, tratando de outros interesses, e que ele lhe mandasse o contrato para assinar por um portador.

“Era lógico que eu não ia fazer isso”, disse. “O contrato tinha que ser assinado na agência, diante de testemunhas, que é a forma profissional de se fazer isso”. Depois começaram a ser publicadas notas afirmando que a tal empresa tinha sido citada na operação Lava-Jato.

Para o embaixador, a nota foi plantada por Catel, amiga de Filipe Martins, assessor internacional de Jair Bolsonaro, para colocar sua reputação em dúvida. “Todas as vezes que falamos desse contrato, jamais foi levantada qualquer suspeita sobre a empresa. Por que então, no dia seguinte, começam a pipocar essas notas?”, questionou.  “E, se ela sabia da tal citação, por que não me informou?”, continuou, indignado, acometido de novo ataque de tosse.

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