Após incêndio, pesquisadores da Antártida chegam ao Brasil

Equipe que estava presente no acidente desembarca em Pelotas e no Rio no avio da Fora Area Brasileira. At reconstruir estao, governo deve usar navio como base no continente por quase dois anos

Após incêndio, pesquisadores da Antártida chegam ao Brasil
Após incêndio, pesquisadores da Antártida chegam ao Brasil (Foto: WILTON JUNIOR/AGÊNCIA ESTADO)

247 com agências - Pousou por volta de 1h30 na Base Aérea do Galeão o avião da Força Aérea Brasileira (FAB). A aeronave saiu de Punta Arenas, no Chile, na tarde de domingo com as 45 pessoas que trabalhavam na Estação Antártica Comandante Ferraz. Dois militares morreram no incêndio, que destruiu cerca de 70% das instalações da base. Na noite de ontem, quatro pesquisadores, desembarcaram em Pelotas (RS).

O primeiro-sargento Luciano Gomes Medeiros chegou com algumas queimaduras, mas seu estado de saúde é estável. Ele foi encaminhado para o Hospital Marcílio Dias. A bióloga marinha Terezinha Abscher, que trabalha com invertebrados, disse que o incêndio foi muito traumatizante.

César Rodrigo dos Santos,36, biólogo pela Unisinos e a mulher, Gabriela Werle, ambos da cidade de São Leopoldo contam com sentimento o que presenciaram no momento do acidente. "Eu fui o primeiro que viu quando tudo começou. Entramos rápido para chamar o grupo, mas o fogo estava tão alto que não teve o que fazer", conta Santos.

Erli Costa, 33, foi outra sobrevivente. Gaúcha de Herval Grande, ela mora há sete anos no Rio de Janeiro com o marido que conheceu em uma de suas visitas à Antártida. "Escutei o barulho do pessoal falando, achei que fosse brincadeira. Mas não era", conta. Ela estava calma, até receber a notícia de que os companheiros tinham morrido. A última vez que viu os militares foi quando eles colocaram a máscara para entrar na casa das máquinas para tentar inibir o fogo. Erli acompanhou até o último minuto e saiu profundamente triste pelas perdas. "Não tentei salvar nada. Tentei ajudar o pessoal", diz.

Os corpos do suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e do primeiro-sargento Roberto Lopes dos Santos foram localizados por volta das 17h de sábado por uma equipe formada pelo chefe da Estação e mais três militares, apoiados por um helicóptero da Força Aérea Chilena. Os corpos devem chegar ao país na terça-feira.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp, afirmou neste domingo que o governo vai manter o Programa Antártico Brasileiro e deve usar o navio polar Almirante Maximiano como base provisória na Antártida, até que seja reconstruída a Estação Comandante Ferraz, destruída após incêndio na madrugada de sábado. O governo prometeu reconstruir a estação, mas fez estimativas conflitantes sobre o prazo - Raupp afirmou que a recuperação levará um ano; Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, previu o dobro de tempo.

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