AtlasIntel não recorrerá de decisão do TSE que suspendeu pesquisa que apontava queda de Flávio Bolsonaro
Instituto diz colaborar com o TSE para prestar esclarecimentos sobre a metodologia e que questionário não permitia alteração das respostas já registradas
247 - A AtlasIntel informou nesta segunda-feira (8) que não apresentará recurso contra a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que suspendeu a divulgação de uma pesquisa eleitoral realizada em maio. O levantamento incluía a reprodução de um áudio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, o que motivou uma ação movida pelo Partido Liberal.
De acordo com o SBT News, a empresa afirmou que está colaborando com a Justiça Eleitoral para prestar esclarecimentos sobre a metodologia adotada no estudo. A AtlasIntel sustenta que a reprodução do áudio ocorreu apenas após os participantes responderem às perguntas relacionadas à intenção de voto, sem possibilidade de alteração das respostas já registradas.
Em nota, o instituto declarou confiança na legalidade do levantamento e na análise técnica que será realizada pelo TSE. “Estamos tranquilos e confiantes de que a situação será devidamente esclarecida a partir da análise técnica dos fatos e da metodologia empregada e confiamos no colegiado do TSE para afirmar a robustez técnica e a legalidade do estudo”, afirmou a empresa.
Segundo a AtlasIntel, o questionário continha 48 perguntas e o áudio foi apresentado somente ao final da pesquisa. O instituto argumenta que, nesse formato, o conteúdo não poderia influenciar as respostas relacionadas às intenções de voto já fornecidas pelos entrevistados.
O levantamento começou a ser aplicado em 13 de maio, mesma data em que o site The Intercept Brasil publicou reportagem informando que Flávio Bolsonaro teria negociado repasses milionários com Daniel Vorcaro entre 2024 e 2025 para financiar o filme Dark Horse. A produção retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro durante as eleições de 2018 e tem lançamento previsto para setembro.
Na pesquisa questionada, Flávio Bolsonaro registrou queda nas intenções de voto em comparação com levantamentos anteriores realizados pelo instituto. O estudo ouviu 5.032 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio e apresentou margem de erro de um ponto percentual. O levantamento foi registrado no TSE sob o código BR-06939/2026.
Entenda a decisão do TSE
A suspensão da divulgação da pesquisa foi determinada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, após pedido apresentado pelo Partido Liberal.
Na ação, o PL argumentou que a estrutura do questionário ultrapassava os limites de uma aferição neutra da opinião pública e continha elementos capazes de induzir respostas desfavoráveis ao pré-candidato mencionado.
Ao analisar o caso, Nunes Marques entendeu, em decisão liminar, que havia indícios de que a sequência de perguntas poderia influenciar os participantes.
Segundo o ministro, a análise preliminar do formulário apontou “a existência de sequência de perguntas que, ao menos em juízo de cognição sumária, aparentam extrapolar a simples aferição neutra da opinião pública para introduzir estímulos narrativos possivelmente aptos a influenciar as respostas subsequentes relativas à intenção de voto, à rejeição e à avaliação de imagem de pré-candidato mencionado na representação”.
Com base nesse entendimento, o presidente do TSE determinou a interrupção da divulgação do levantamento até nova deliberação da Corte. “Ante o exposto, defiro parcialmente o pedido liminar para determinar à representada que se abstenha de promover nova divulgação, impulsionamento, republicação ou manutenção da pesquisa registrada em seus canais oficiais de comunicação, até ulterior deliberação deste Tribunal Superior”, decidiu o magistrado.
A medida tem caráter provisório e ainda será submetida à análise do plenário do Tribunal Superior Eleitoral, em julgamento cuja data ainda não foi definida.



