AtlasIntel reage após Nunes Marques barrar pesquisa que apontava queda de Flávio Bolsonaro
Presidente do TSE citou possível comprometimento metodológico em pesquisa que indicava queda nas intenções de voto do parlamentar em função do caso Master
247 - O diretor da AtlasIntel, Andrei Roman, reagiu nesta segunda-feira (8) à decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que suspendeu a divulgação de uma pesquisa relacionada ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em manifestação publicada nas redes sociais, segundo a coluna da jornalista Manoela Alcântara, no Metrópoles, o executivo defendeu a credibilidade do instituto e afirmou que a empresa continuará fortalecendo sua atuação.
A medida foi determinada pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, após pedido apresentado pelo Partido Liberal (PL). A decisão suspendeu a divulgação de um levantamento publicado em 19 de maio que indicava queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026.
AtlasIntel reage à decisão
Ao comentar a decisão judicial, Andrei Roman afirmou que a empresa já enfrentou críticas de diferentes setores políticos ao longo de sua trajetória. “Muitos tentaram atacar a reputação [da empresa] quando os resultados não lhes convinham”, escreveu.
O executivo também relembrou episódios anteriores envolvendo pesquisas realizadas pelo instituto. “Quando mostramos Bolsonaro e Trump fortes em 2022, fomos atacados pela esquerda. Quando antecipamos a derrota de Orban na Hungria, fomos atacados pela direita. A reputação se constrói lentamente, a partir de um trabalho árduo”, declarou.
Roman sustentou ainda que a AtlasIntel mantém uma posição de destaque no setor de pesquisas. “A realidade que se impõe hoje é que não existe uma empresa de pesquisa em nível global com a trajetória que a AtlasIntel construiu. Depois de cada ataque injusto, a AtlasIntel se consolidou ainda mais, e é justamente isso que vai continuar acontecendo”, afirmou.
TSE aponta indícios de comprometimento metodológico
Na decisão, Kassio Nunes Marques destacou que a controvérsia não envolve apenas divergências sobre critérios metodológicos. Segundo o ministro, existem elementos que indicam possível indução dos entrevistados por meio da estrutura do questionário aplicado.
De acordo com o magistrado, a sequência das perguntas e o uso de expressões com carga valorativa negativa podem ter influenciado as respostas obtidas pelo levantamento.
O caso ganhou relevância após a divulgação de conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, relacionadas a um pedido de financiamento para o filme Dark Horse. Na análise preliminar, o ministro também considerou a utilização de áudio oriundo de investigação como um dos fatores que justificaram a suspensão.
Liminar suspende divulgação da pesquisa
A decisão determinou a suspensão da divulgação, do impulsionamento, da republicação e da manutenção da pesquisa nos canais oficiais da AtlasIntel até nova deliberação da Corte.
Segundo Nunes Marques, a medida cautelar não representa um julgamento definitivo sobre a validade do levantamento, mas busca evitar possíveis impactos enquanto a análise do mérito estiver em andamento.
“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada, inclusive no cotejo com o questionário de outras pesquisas registradas no TSE pela mesma empresa”, afirmou o ministro.
Na avaliação do presidente do TSE, há indícios de que a pesquisa possa ter ultrapassado os limites esperados de uma aferição estatística regular. “A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, acrescentou.
Comparação com pesquisas anteriores
Outro ponto destacado na decisão foi a comparação entre o levantamento questionado e pesquisas anteriores registradas pela AtlasIntel no Tribunal Superior Eleitoral. Segundo Kassio Nunes Marques, outras 27 pesquisas realizadas pelo instituto não apresentavam questionários com características semelhantes às observadas no caso analisado, nem utilizavam áudios como parte do processo de coleta de informações.
O mérito da ação ainda será examinado pelo TSE, que decidirá posteriormente sobre a regularidade metodológica da pesquisa e sobre a manutenção ou não das restrições impostas à sua divulgação.



