Bandidos fardados

Em Salvador, haverá Carnaval. E como diria Dorival Caymmi: “Você já foi à Bahia, nega? Não? Então, vá!”

Sorria, você está na Bahia!

Uma frase simples, direta e verdadeira. Durante muito tempo, esse foi o slogan dos baianos. E é essa a sensação dos milhões de brasileiros e turistas internacionais que a cada ano desembarcam num dos Estados mais ricos do País em belezas naturais e diversidade cultural. Quem vai à Bahia, quase sempre, volta melhor. E há também quem decida ficar.

A Bahia é tão repleta de magia que, fora dela, alimenta com frequência invejas e ressentimentos. A cidade de Salvador, com o ouro das suas igrejas, a força dos seus atabaques, o aroma dos acarajés, a simpatia do povo e os tesouros escondidos do Pelourinho, é uma das poucas metrópoles que têm o que oferecer ao Brasil e ao mundo durante os 12 meses do ano.

Não há nada, no entanto, que mobilize tanta energia quanto o Carnaval da Bahia. Uma festa bilionária, que foi ferida, neste ano, pela irresponsabilidade de bandidos fardados. Policiais covardes, que, armados, disseminaram o pânico, promoveram atos de vandalismo, estimularam assassinatos, fecharam as escolas e, encastelados na Assembleia Legislativa, usaram mulheres e crianças como escudos humanos.

E que ainda foram canalhas a ponto de celebrar o fim do Carnaval. Que tipo de gente é essa? Como negociar com quem age desta maneira? E como considerar legítima uma greve de policiais que se comportam como bandidos? Não havia saída a não ser cercá-los e vencê-los pelo cansaço, como ocorreu na manhã da quinta-feira. O que falta fazer, agora, é arrancar seus distintivos, expulsá-los da corporação e tratá-los como criminosos que são. Não há outro remédio a não ser a cadeia.

Mais grave ainda é saber que, em outras unidades da Federação, como no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, havia políticos oportunistas à espreita pretendendo estimular a nacionalização da baderna para enfraquecer adversários e colher dividendos eleitorais. Assim como os PMs baianos, que cometeram crime de lesa-pátria, eles também perderam. Em Salvador, haverá Carnaval. E como diria Dorival Caymmi: “Você já foi à Bahia, nega? Não? Então, vá!”

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