Bernardo Mello Franco: Bolsonaro se vingou dos ianomâmis

Como deputado, Bolsonaro tentou mas não conseguiu exterminar os ianomâmis. Como presidente deixou-os morrerem de fome

www.brasil247.com - Fachada da Funai e Yanomamis em situação de miséria
Fachada da Funai e Yanomamis em situação de miséria (Foto: Agência Brasil | Condisi-YY/Divulgação)


247 - O jornalista Bernardo Mello Franco rememora em sua coluna no Globo pronunciamentos de Jair Bolsonaro, desde três décadas atrás, em que o então deputado afirmava que os ianomâmis eram uma ameaça à segurança nacional.

Da noite para o dia, segundo Bolsonaro, os indígenas poderiam iniciar um movimento separatista. “A curto prazo, essa área poderá tornar-se independente, e a perderemos definitivamente”, cita o jornalista, destacando que "começava ali, em novembro de 1991, sua cruzada contra a maior terra indígena da Amazônia"

"Blsonaro tentou convencer o Supremo Tribunal Federal a derrubar a demarcação. Sem sucesso na Corte, apresentou um projeto para anular o ato no Congresso. “Amanhã se dirá aí que estamos massacrando os ianomâmis. Em nome dos direitos humanos, quem garante que tropas estrangeiras não vão ocupar a Amazônia?”, discursou, em 1992.

"Em meio ao palavrório, o deputado deixou escapar seu real objetivo: liberar a exploração predatória da floresta. “Como o homem perdeu o paraíso através de uma maçã, os brasileiros vão perder o paraíso que é esse atual território. Não através de uma maçã, é lógico, mas através do nióbio, da cassiterita, do diamante”, disse.

Mello Franco assinala que a proposta de Bolsonaro naufragou mas ele continuou perseguindo os ianomâmis. "Ao longo de sete mandatos [como deputado], ele testou diferentes argumentos para depreciar os indígenas. No governo Fernando Henrique, alegou que eles seriam fantoches de ONGs controladas pela Casa Branca".

"O plano de extermínio não prosperou, mas o capitão nunca se deu por vencido. Eleito presidente, ele desmontou a Funai, incentivou o garimpo ilegal e deixou os indígenas morrerem de fome. Bolsonaro se vingou dos ianomâmis".

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