Bolsonaro chama ONGs de “picaretas” e defende exploração de terras indígenas

Ao lado de quatro indígenas de diferentes etnias, o presidente Jair Bolsonaro defendeu a exploração mineral e a agricultura em reservas, dizendo que os índios vivem em "uma terra muito rica" e não faz sentido não fazer o uso delas; Bolsonaro chamou de "picaretas" ONGs internacionais que, segundo ele, "escravizam" os indígenas; a líder indígena Sonia Guajajara rebateu; "O que você nos oferece é a da guarda armada, a que queremos é a das terras demarcadas, da defesa da vida, do bem viver. Como sempre, seguiremos na resistência"

Bolsonaro chama ONGs de “picaretas” e defende exploração de terras indígenas
Bolsonaro chama ONGs de “picaretas” e defende exploração de terras indígenas

247 - Em uma live nas redes sociais, nesta quarta-feira (17), o presidente Jair Bolsonaro atacou a Fundação Nacional do Índio (Funai), a legislação que protege os territórios indígenas e as ONGs que atuam no setor.

Ao lado de quatro indígenas de diferentes etnias, Bolsonaro mais parecia Pedro Álvares Cabral quando desembarcou no Brasil e decidiu descer para fazer contato com os índios, oferecendo um guizo. Bolsonaro defendeu a exploração da mineral e a agricultura em reservas, dizendo aos indígenas que eles vivem em uma terra muito rica, mas não faz sentido não fazer o uso delas.

"Quando se fala em Yanomamis, debaixo da terra tem bilhões ou trilhões de dólares, sem sequer discutir isso aí. Vamos continuar sendo pobres? Sendo escravizados por Ongs? Ser escravizados por partidos políticos ou deputados e senadores que não tem compromisso com vocês? Que usam vocês para se dar bem?", disse o presidente. "Nós queremos a liberdade de vocês", garantiu.

Um dos quatro representantes indígenas, por sua vez, se queixou da atuação da Funai, de não poder fazer o uso que gostariam de suas terras, da falta de escolas e das más condições de saúde em suas aldeias. Bolsonaro disse que se a Funai não fizer o que os índios querem, cortará "toda a diretoria" do órgão.

"Assim como o povo brasileiro tem que dizer o que eu vou fazer como presidente, o povo indígena é que diz o que a Funai vai fazer. Se não for assim, eu corto toda a diretoria da Funai e botamos gente como vocês lá dentro para não atrapalhar quem quer o progresso, quem quer o desenvolvimento, quem quer o bem do Brasil", declarou o presidente.

"Não justifica viver nessas condições precárias", disse Bolsonaro. "Vocês [índios] não são pré-históricos, são seres humanos", completou o presidente, afirmando que é preciso construir usinas hidrelétricas nas terras dos povos nativos, alegando que eles poderiam se beneficiar dos royalties gerados por essas atividades.

Como é de praxe, Bolsonaro aproveitou para fazer o seu discurso de ódio, afirmando que "a política da esquerda" para as questões indígenas vai mudar em seu governo. "Vocês têm bastante terra, vamos usar essas terras. Há trilhões de dólares embaixo da terra", disse. "Vamos continuar sendo pobres?", questionou.

Por meio das redes sociais, a líder indígena Sonia Guajajara rebateu: "A portaria de Moro tenta nos intimidar e o presidente em sua live fala em nos integrar. Nos integrar a sociedade presidente? A que você nos oferece é a da guarda armada, a que queremos é a das terras demarcadas, da defesa da vida, do bem viver. Como sempre, seguiremos na resistência".

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