'Bolsonaro e militares tentam deslegitimar eleições e TSE deve ser firme', diz Gleisi sobre conspiração contra urnas

"Bolsonaro sabe que não ganha no voto. Por isso atiça novamente comandantes militares contra TSE e urnas eletrônicas", disse a presidenta do PT

www.brasil247.com - Gleisi Hoffmann
Gleisi Hoffmann (Foto: Ricardo Stuckert)


247 - A deputada Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT, afirmou nesta terça-feira (10) que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não pode tolerar que militares tentem interferir ou desacreditar o processo eleitoral brasileiro.

"Bolsonaro sabe que não ganha no voto. Por isso atiça novamente comandantes militares contra TSE e urnas eletrônicas. Cria tumulto para tentar deslegitimar as eleições e a democracia. Não é papel das Forças Armadas tutelar eleições. O TSE deve se dar ao respeito e ser firme sobre isso", disse Gleisi pelo Twitter.

Nesta terça-feira veio a público um inquérito da Polícia Federal que mostra que o ataque às urnas eletrônicas em uma live presidencial no ano passado teve a participação do general Luiz Eduardo Ramos e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), atrelada ao Gabinete de Segurança Institucional chefiado pelo também general Augusto Heleno.

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A relatoria é do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Como conclusão do inquérito, a delegada Denisse Ribeiro entendeu que a busca por informações para desacreditar o sistema eleitoral é mais um evento relacionado à organização criminosa investigada no inquérito das milícias.

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Além de Gleisi, outros parlamentares de oposição ao governo também se manifestaram sobre o envolvimento de militares nos ataques ao processo eleitoral brasileiro.

Confira algumas reações:

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Leia também reportagem da Rede Brasil Atual sobre o assunto: 

Conspiração contra urnas eletrônicas tem atuação de Heleno, Ramos e Abin desde 2019, revela PF

O general Luiz Eduardo Ramos e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), atrelada ao Gabinete de Segurança Institucional chefiado pelo general Augusto Heleno, também estão envolvidos no vazamento ilegal de dados sigilosos da Justiça Eleitoral realizado pelo presidente Jair Bolsonaro em live no ano passado. É o que mostra investigação da Polícia Federal publicada pelo jornal Folha de S. Paulo nesta terça-feira (10). 

A apuração da PF revela que o uso das instituições públicas para buscar informações contra as urnas eletrônicas vem desde 2019 e envolve também os generais que atuam no governo. No início de fevereiro, a delegada da instituição Denisse Dias Ribeiro já havia identificado que o presidente da República cometeu crime ao vazar dados de uma investigação envolvendo um ataque hacker ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As informações foram compartilhadas de forma ilegal durante uma live de Bolsonaro, em 29 de julho de 2021, com objetivo de atacar a credibilidade das urnas eletrônicas. O caso foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que tem a relatoria do processo. 

Na ocasião, Bolsonaro levantou sem provas a suspeita de fraude na eleição de 2014, quando Dilma Rousseff (PT) venceu Aécio Neves (PSDB). O presidente utilizou como “prova” para seus ataques uma análise simplória sobre o padrão nos números da apuração dos votos que deu vitória à petista. O material, uma planilha com os números de votos, havia sido elaborada pelo técnico em eletrônica Marcelo Abrieli. Em depoimento à Polícia Federal, Abrieli relatou ter sido procurado, em 2019, pelo general Luiz Eduardo Ramos, atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, para uma reunião com Bolsonaro no Palácio do Planalto. 

Organização criminosa

O encontro teria como tema “indícios de fraude nas urnas eletrônicas”. E, segundo o técnico em eletrônica, ele deveria falar sobre as informações descobertas em 2014 em relação às eleições. Abrieli afirmou ter sido novamente procurado entre junho e julho do ano passado pelo general Ramos. Segundo ele, o contato foi feito quando Bolsonaro estava junto com o general e a ligação foi colocada no viva voz. “Durante essa conversa foi avisado que estavam reunindo várias informações sobre possível fraude nas urnas eletrônicas. O general Ramos pediu para o declarante falar um pouco sobre as informações que descobriu”, disse ele à PF.

A reportagem detalha que, logo após a conversa, o técnico em eletrônica foi procurado pelo coronel Eduardo Gomes da Silva, o responsável por apresentar as suspeitas de fraudes na live. À época, o TSE havia dado prazo para que Bolsonaro apresentasse provas sobre as supostas fragilidades do sistema eleitoral que acusava. Perto do fim do prazo, Bolsonaro fez mais de duas horas de transmissão colocando em dúvida as urnas com informações sigilosas e descontextualizadas da Justiça Eleitoral, embora admitisse não ter provas das fraudes. 

O inquérito da PF ainda revela que o perito criminal do órgão, Ivo Peixinho, especialista em crimes cibernéticos e responsável por testes nas urnas eletrônicas, também foi procurado entre 2019 e 2020 pelo governo federal. Mas, dessa vez, por meio da Abin, chefiada por Augusto Heleno. Ao concluir a apuração, a delegada Denisse Ribeiro entendeu que a busca por informações pelos generais de Bolsonaro também faz parte da ofensiva para desacreditar o sistema eleitoral. Segundo a PF, esse é mais um evento relacionado à organização criminosa investigada no inquérito das milícias digitais. 

Propósito era desinformar

A delegada apontou ainda que a live presidencial foi realizada com o “nítido propósito de desinformar e de levar parcelas da população a erro quanto à lisura do sistema de votação” e “alimenta teorias que promovem fortalecimento dos laços que unem seguidores de determinada ideologia dita conservadora”.

Procurados, o Palácio do Planalto e o GSI não se manifestaram. Na semana passada, o ministro Alexandre de Moraes havia dado 15 dias para a PF apresentar um “relatório minucioso” detalhando o material obtido sobre o suposto vazamento de dados sigilosos por Bolsonaro. Segundo Moraes, falta um relatório específico analisando esses elementos de prova. O detalhamento foi considerado pelo ministro “essencial para a completa análise” da Procuradoria-Geral da República. Em fevereiro, Augusto Aras pediu arquivamento do caso mesmo após a PF afirmar que o presidente da República cometeu crime de violação de sigilo funcional. 

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