'Bolsonaro passa mensagem destruidora ao desmentir a ciência', diz Ricardo Galvão, ex-diretor do Inpe

Eleito pela revista Nature o maior destaque mundial na ciência em 2019, Ricardo Galvão falou sobre sua saída do Inpe e sobre o negacionismo presente no governo Bolsonaro em relação à ciência. "Dizer que dados científicos são mentirosos é uma acusação extremamente grave. A mensagem que ele dá é destruidora", afirmou

Ricardo Galvão e Jair Bolsonaro
Ricardo Galvão e Jair Bolsonaro (Foto: Agência Brasil)

247 - O ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Ricardo Galvão, eleito pela revista Nature o maior destaque mundial na ciência em 2019, concedeu entrevista à coluna de Guilherme Amado, da Época, e falou sobre sua saída do instituto, causada por entreveros com Jair Bolsonaro e demais integrantes do governo.

Ele afirmou que acusar de falsidade dados científicos é muito grave e que não espera esse comportamento de um presidente da República. Ele ainda recomendou que não se conteste desta forma a ciência para que não seja "ridicularizado", como foi Bolsonaro. 

"O presidente Bolsonaro tem de entender, como qualquer líder de nação, que quando tratamos de questões científicas não existe autoridade sobre a soberania da ciência. Não conteste, não se coloque contra, porque você vai ser ridicularizado, como foi o presidente e o governo, depois de dizer que eram mentirosos dados depois confirmados por cientistas da Nasa, da Agência Espacial Europeia e pelo próprio Inpe".

Ricardo Galvão classificou a mensagem que Bolsonaro passa ao tentar desmentir a ciência como "destruidora".

Ele falou também que sua discordância com Jair Bolsonaro não foi apenas em relação ao monitoramento do desmatamento na Amazônia, mas que abrangeu a defesa da ciência como um todo. "Minha posição bastante firme, contrária ao presidente da República, não teve implicações só na questão inicial, de monitoramento de desmatamento e queimadas da Amazônia. Foi também uma defesa da ciência e de seus resultados, em uma época em que vemos crescer de forma preocupante ideias negacionistas, que são até difíceis de explicar".

O ex-diretor do Inpe também citou o suposto filósofo e guru de Jair Bolsonaro e família, Olavo de Carvalho, para falar da falta de entendimento nas redes sociais, e no governo, sobre a diferença entre teoria e ciência. "É comum ver nas redes sociais pessoas falando: "Segundo a teoria do professor Olavo de Carvalho, a Terra não se move em volta do Sol, mas é o Sol que se move em volta da Terra". Eles não entendem o significado de teoria e ciência, de método científico. Quando falamos de teoria e ciência, falamos de um modelo que explica fenômenos naturais e físicos que podem ser medidos em laboratórios, contestados, verificados. Não é uma opinião".

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