Bombeiro preso no Rio está em greve de fome

Benevenuto Daciolo, preso desde quarta-feira no Bangu 1, teria recusado as refeies servidas no presdio de segurana mxima

Bombeiro preso no Rio está em greve de fome
Bombeiro preso no Rio está em greve de fome (Foto: Guto Maia/Agência Estado)

O cabo bombeiro Benevenuto Daciolo, preso desde quarta-feira, está em greve de fome, informou a mulher dele, a dona de casa Cristiane Daciolo. Ela contou que foi avisada pelo defensor público que o representa. Desde que chegou a Bangu 1, Daciolo teria recusado as refeições servidas no presídio de segurança máxima. Cristiane disse não saber como está a saúde do marido, porque teve apenas um encontro com ele, de 15 minutos, na quinta-feira.

Cristiane refutou as acusações de que o movimento de greve está sendo manipulado politicamente. "Ele (Daciolo) não está envolvido com política, não está filiado a partido algum. Partidos políticos apoiam o movimento, mas o movimento não está com nenhum partido", afirmou.

Sobre as declarações de Daciolo, de que recusaria qualquer aumento oferecido pelo governo e que os bombeiros lutariam pela saída de Sérgio Cabral, ela disse ainda que o marido foi motivado pelo "calor da hora". "Você já tropeçou e falou um palavrão? Foi a mesma coisa. Era uma conversa fechada entre bombeiros. Ele se exaltou".

A afirmação polêmica, que alimenta os rumores de que a greve atenderia a interesses políticos de adversários de Cabral, foi feita numa reunião em setembro de 2011. As imagens foram postadas no blog SOS Bombeiros e reproduzidas ontem pela Rede Globo.

Na ocasião, o movimento pleiteava o piso de R$ 2.000 - agora, a exigência é de R$ 3.500. "Se amanhã o governador falar: não dá R$ 2 mil para eles não, dá R$ 4 mil. O que nós vamos dizer? Fora Cabral! Fora, Cabral!", disse Daciolo na ocasião.

Para a deputada Janira Rocha, esse tipo de manifestação demonstra a "espontaneidade do movimento". "Se existisse articulação política, não haveria manifestação em Copacabana no momento de refluxo do movimento nem palavra de ordem como "Fora, Cabral". Isso demonstra o nível de tensão com o governo, que naquele momento não os recebia".

Além de Janira, esteve em Copacabana o deputado estadual Paulo Ramos (PDT), único a votar contra a mensagem do governo que reajustou os bombeiros, por entender que a proposta não atendia às reivindicações da categoria. Com o aumento, o piso passou de 1.277,13 em janeiro para R$1.669,33. Com a gratificação e o vale-transporte, esse valor vai para R$ 2.119,33.

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