Boulos: autonomia do BC institucionaliza entrega do galinheiro às raposas

Líder do MTST, Guilherme Boulos afirmou que o projeto sobre autonomia do Banco Central "institucionaliza essa entrega do galinheiro na mão das raposas". "O projeto aprovado, na prática, permite ao BC definir instrumentos da política monetária sem sintonia com as decisões macroeconômicas de governo"

Guilherme Boulos
Guilherme Boulos (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247)
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247 - Em artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo, o líder do MTST, Guilherme Boulos, afirmou que "o atentado mais grave do governo Bolsonaro contra a economia brasileira foi aprovado na semana passada pelo Congresso". "Arthur Lira (PP-AL) passou a boiada da autonomia do Banco Central, sem discussão com a sociedade, em meio ao caos da pandemia. Ilustração perfeita do casamento entre autoritarismo e neoliberalismo que dá as cartas no país, um novo case da 'doutrina do choque' de Naomi Klein", disse.

"A captura do BC pelas indicações do mercado não é novidade. O atual presidente, Roberto Campos Neto, veio diretamente dos quadros do Santander. Seu antecessor, Ilan Goldfajn, era economista-chefe do Itaú. E alguns dos mais notórios ocupantes do cargo em governos anteriores tiveram a mesma origem, como Henrique Meirelles (Bank Boston) e Arminio Fraga (Soros Fund Management)", acrescentou.

De acordo com o ativista, "a autonomia do BC institucionaliza essa entrega do galinheiro na mão das raposas". "O projeto aprovado, na prática, permite ao BC definir instrumentos da política monetária sem sintonia com as decisões macroeconômicas de governo, em particular nos dois primeiros anos do mandato presidencial", disse. 

"O comandante do BC terá mandato fixo de quatro anos, encerrando-se sempre no meio de mandato do presidente da República. Ou seja, um governo eleito pelo povo terá de conviver por dois anos com uma linha de condução do BC eventualmente contrária à sua política. Uma tutela da democracia pelos bancos", afirmou.

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