Boulos: elite do país é segregadora e tem 'povofobia'

Em entrevista ao Sul 21, o líder do MTST e pré-candidato a presidente pelo PSOL, Guilherme Boulos, criticou o comportamento da elite brasileira, de setores da classe média alta. "É uma elite que pensa ainda com a cabeça da escravidão, que reproduz o capitalismo da Casa Grande. Não admite qualquer tipo de concessão, por menor que seja, para o andar debaixo da sociedade. É uma elite segregadora, do elevador de serviço, do quarto de empregada, rançosa, que não admite conviver com o povo. Ela tem povofobia. Esse é um comportamento de setores que se expressaram de maneira clara, no último período, na forma do debate político e até na presença nas ruas", diz ele

Em entrevista ao Sul 21, o líder do MTST e pré-candidato a presidente pelo PSOL, Guilherme Boulos, criticou o comportamento da elite brasileira, de setores da classe média alta. "É uma elite que pensa ainda com a cabeça da escravidão, que reproduz o capitalismo da Casa Grande. Não admite qualquer tipo de concessão, por menor que seja, para o andar debaixo da sociedade. É uma elite segregadora, do elevador de serviço, do quarto de empregada, rançosa, que não admite conviver com o povo. Ela tem povofobia. Esse é um comportamento de setores que se expressaram de maneira clara, no último período, na forma do debate político e até na presença nas ruas", diz ele
Em entrevista ao Sul 21, o líder do MTST e pré-candidato a presidente pelo PSOL, Guilherme Boulos, criticou o comportamento da elite brasileira, de setores da classe média alta. "É uma elite que pensa ainda com a cabeça da escravidão, que reproduz o capitalismo da Casa Grande. Não admite qualquer tipo de concessão, por menor que seja, para o andar debaixo da sociedade. É uma elite segregadora, do elevador de serviço, do quarto de empregada, rançosa, que não admite conviver com o povo. Ela tem povofobia. Esse é um comportamento de setores que se expressaram de maneira clara, no último período, na forma do debate político e até na presença nas ruas", diz ele (Foto: Aquiles Lins)

247 - O líder do MTST e pré-candidato a presidente pelo PSOL, Guilherme Boulos, voltou a criticar a perseguição ao ex-presidente Lula, que é vítima de prisão política há 15 dias em Curitiba. 

Em entrevista ao site Sul 21, Boulos destaca a importância da resistência pela liberdade do ex-presidente. "Na medida que todo o processo, desde o princípio, foi marcado pelo viés político, uma condenação sem qualquer prova, contrastando com uma série de figuras da República que tem provas abundantes e não tiveram condenação ou prisão, achamos que a resistência era legítima e importante", diz ele.

Boulos criticou o comportamento da elite brasileira, de setores da classe média alta. "É uma elite que pensa ainda com a cabeça da escravidão, que reproduz o capitalismo da Casa Grande. Não admite qualquer tipo de concessão, por menor que seja, para o andar debaixo da sociedade. É uma elite segregadora, do elevador de serviço, do quarto de empregada, rançosa, que não admite conviver com o povo. Ela tem povofobia. Esse é um comportamento de setores que se expressaram de maneira clara, no último período, na forma do debate político e até na presença nas ruas", diz ele. 

Leia alguns trechos da entrevista: 

Sul21: Tu foste o primeiro a pedir que as pessoas fossem prestar apoio a ele, no Sindicato dos Metalúrgicos, logo que a prisão foi decretada pelo juiz Sérgio Moro. Como avalias a celeridade do processo? E o que achaste do apoio popular mobilizado nestes dias?

Boulos: O Moro e o TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) não tiveram nenhuma preocupação, sequer, em preservar as aparências. O processo do Lula não respeitou o amplo direito de defesa, garantias básicas. E o Supremo Tribunal Federal (STF), naquela noite lamentável, após ser pressionado pelo Comandante do Exército (General Eduardo Villas-Bôas) um dia antes pelo Twitter, passou por cima da Constituição. A Constituição é muito clara: ela diz que não pode haver prisão sem trânsito em julgado. Prisão após condenação em segunda instância é algo que viola a CF. Evidente que o caso do Lula não é único. Temos boa parte da população carcerária do Brasil presa sem julgamento. O Judiciário, frequentemente, opera por outras razões que não a Lei. Isso é grave, precisa ser denunciado. Na medida que todo o processo, desde o princípio, foi marcado pelo viés político, uma condenação sem qualquer prova, contrastando com uma série de figuras da República que tem provas abundantes e não tiveram condenação ou prisão, achamos que a resistência era legítima e importante. Por isso, estivemos com Lula no Sindicato dos Metalúrgicos.

Sul21: Como tu vês a questão da regulamentação da mídia?

Boulos: Minha posição é que se cumpra a Constituição. A Constituição brasileira diz que não pode ter monopólio em relação à comunicação, mas hoje nós temos. Poucas famílias empresariais detêm o controle do que se fala para o povo brasileiro, desrespeitando a diversidade, a ampla gama de posições políticas e representações sociais que há no Brasil. Também diz que não pode haver propriedade cruzada, a mesma empresa controlar vários ramos da comunicação, e nem pode haver concessões para políticos, sendo que é o que mais temos. As difusoras de televisão e rádio nos estados estão nas mãos de oligarquias locais como instrumentos de propaganda política. A CF também estabelece que a comunicação privada, empresarial é apenas um dos ramos da comunicação. Deve haver também a comunicação pública e estatal. A EBC, que foi uma experiência nesse sentido, está sendo desmontada. Do ponto de vista de comunicação pública, há pouquíssimos espaços no Brasil, quase todos eles sucateados. As rádios comunitárias são perseguidas pela Polícia Federal. Democratizar a comunicação no Brasil é algo imperioso, querer confundir isso com censura é um disparate. Censura é o que temos hoje, de inúmeras vozes que não podem se expressar pelos meios de comunicação.

Sul21: Tu és psicanalista. Como tu analisas esse ódio formado em torno da figura do Lula, com grupos que conseguem se construir exclusivamente em cima disso?

Boulos: O momento é de muito ódio, em relação ao Lula, mas não só. O ódio tem envenenado as relações sociais e o debate político no Brasil. Vivemos um monte de insegurança, de falta de perspectivas sobre o futuro. Isso está calcado numa crise real da sociedade. Temos 30% de desemprego entre os jovens, uma crise das instituições, talvez sem precedente na História recente, o futuro é algo muito nebuloso e distante para as pessoas. A psicanálise nos mostra, inclusive, que a agressividade e o ódio são uma formação reativa ao medo. Quando as pessoas temem, elas estão mais suscetíveis a reagir com ódio. Estamos vendo isso no mundo todo, não só no Brasil. Trump se ergue nos EUA com um discurso de ódio contra imigrantes. A extrema-direita que se fortalece na Europa, também é com discurso de apontar culpados, em torno da xenofobia. O Bolsonaro se ergue em cima desse discurso de ódio. Porém, a insegurança pode levar ao medo e ao ódio, mas também pode levar à esperança. Esse é o caminho que precisamos trilhar no Brasil. Não vamos vencer o ódio deles contrapondo com outro ainda maior. Vamos vencer trilhando um caminho de esperança.

Leia a entrevista na íntegra no Sul 21

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