Brasil se isola durante pandemia para seguir em 'alinhamento automático' com os EUA, diz analista

"O que Trump indicou é: embora o Brasil seja um aliado, se for preciso, podemos desagradar esse aliado para beneficiar nosso público interno", avalia a professora de Relações Internacionais da Unesp Karina Mariano

Donald Trump e Jair Bolsonaro
Donald Trump e Jair Bolsonaro (Foto: Alan Santos/PR)
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Sputnik Brasil - Com a possibilidade dos EUA suspenderem todos os voos comerciais com o Brasil, fica exposta a contradição da estratégia de política internacional do Itamaraty, avalia especialista ouvido pela Sputnik Brasil.

Falando na Casa Branca na terça-feira (28), o presidente Donald Trump afirmou que o Brasil experimenta "praticamente um surto" de coronavírus e não descartou suspender todos os voos comerciais entre os dois países, medida já adotada anteriormente contra a China.

Já nesta quarta-feira (29), o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, afirmou que a normalização dos voos entre os países é importante para a recuperação econômica e que iria conversar com o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, sobre o assunto. 

Para a professora de relações internacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Karina Mariano, a estratégia do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é de "alinhamento automático" com Washington e o Brasil paga o preço por ser um dos piores países do mundo na luta contra a pandemia.

"Trump tenta mostrar uma preocupação com a situação dos EUA, ele está sendo fortemente criticado pelas atitudes durante a pandemia, por ter demorado a tomar uma atitude, minimizado o problema no início. E pelas declarações, vamos dizer assim, infelizes que ele fez ao longo desse processo em coletivas", diz Mariano. "O que Trump indicou é: embora o Brasil seja um aliado, se for preciso, podemos desagradar esse aliado para beneficiar nosso público interno."

As eleições presidenciais previstas para este ano nos EUA fazem parte do cálculo de Trump, avalia a professora da Unesp. 

No momento, a diretriz do Departamento de Estado dos EUA é de recomendar que o Brasil não seja visitado e a embaixada estadunidense no Brasil orientou, ainda em março, os seus cidadãos a deixarem o país.

O Brasil já ultrapassou a marca de 5 mil mortes causadas pela pandemia. Nos Estados Unidos, são mais de um milhão de casos confirmados e 60 mil óbitos, segundo dados da Universidade John Hopkins. 

Isolamento internacional

Os recentes atritos com a China, avalia Mariano, prejudicam o Brasil. Declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e do ministro da Educação, Abraham Weintraub, causaram descontentamento em Pequim — que respondeu duramente ao posicionamento das autoridades brasileiras. 

"A China foi um importante parceiro no caso europeu, ela enviou médicos para ajudar no combate à pandemia na Itália. Ela poderia ser um importante parceiro até porque enfrentou primeiro [a pandemia], tem um aprendizado que poderia ser passado, além de ser o maior produtor de todos os suprimentos e equipamentos de segurança necessários para o combate da pandemia", diz.

Para a especialista em relações internacionais, o Brasil no momento se distancia diplomaticamente dos seus vizinhos, do Mercosul, da China e do BRICS. Para ela, a estratégia de Bolsonaro é de apostar no "conflito".

"Há uma incoerência nessas estratégias que eu, sinceramente, não consigo entender o objetivo. A não ser pensar que a lógica é de manter vivo sempre esse conflito, essa tensão permanente para garantir, vamos dizer assim, esse discurso de caos, baseado na lógica do 'nós contra os outros'. A gente está vendo que não está levando a bons resultados, mas o governo insiste."

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