Brasileiros vão às ruas contra Bolsonaro e o racismo neste 20 de novembro

Campanha Nacional Fora Bolsonaro aderiu aos tradicionais atos do Dia da Consciência Negra

(Foto: Carol Mendes / Brasil de Fato)
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Brasil de Fato - Contra Jair Bolsonaro (sem partido) e contra o racismo. Essas são as principais bandeiras das manifestações de rua deste sábado (20), Dia da Consciência Negra, em todo o Brasil.

“Se existe um contraponto real e imediato à existência do Bolsonaro, é a existência da vida negra”, analisa o fundador da Coalizão Negra por Direitos e da Uneafro, Douglas Belchior, em entrevista ao Brasil de Fato.

A educadora Iêda Leal, coordenadora nacional do Movimento Negro Unificado (MNU), afirma que consciência negra e consciência de classe precisam caminhar juntas:

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“Quem acredita que uma sociedade deve ser construída com base na solidariedade, no respeito e na valorização da vida precisa estar conosco para a gente continuar lutando contra o racismo”, convoca.

Além das entidades que compõem o movimento negro, os atos têm a participação da Campanha Nacional Fora Bolsonaro, que engloba os maiores movimentos populares e centrais sindicais do país.

Avanços e limites

Conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2021, o número de negros nas penitenciárias brasileiras aumentou de 58,4% para 66,4% entre 2005 e 2020, um crescimento de 13,5% em 15 anos.

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Em números absolutos, a população negra nas prisões saltou de 91.843, em 2005, para 397.816 em 2020 – 333 mil pretos e pardos a mais ocupando celas nas penitenciárias do país. Já o número de brancos nas prisões brasileiras, no mesmo período, caiu 18%. Eram 39,8% em 2005 e são 32,5% do total registrado em 2020.

A polícia brasileira nunca matou tanto quanto no ano passado: 6.416 pessoas. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada dez vítimas fatais, oito são negros e sete tem menos de 25 anos.

Por outro lado, dados sobre o ensino superior apontam conquistas relevantes, resultado da luta do povo negro.

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Em 1999, de cada 100 estudantes brasileiros de universidades públicas, 15 eram negros. Em 2019, de cada 100 estudantes brasileiros de universidades públicas, 46 são negros. Os números são do Caderno de Estudos e Pesquisas em Políticas Educacionais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

A pandemia de covid-19 mostrou que ainda há muito a avançar no acesso a direitos. Uma pesquisa da Rede Penssan, com dados de 2020, mostrou que quando a pessoa de referência na casa é negra, 10,7% das famílias convivem com a fome; se é branca, 7,5%.

Números do início de julho mostram que as mortes por doença respiratória durante a pandemia cresceram 71% entre os negros e 24,5% entre os brancos. Maioria da população, os negros receberam apenas 23% das vacinas contra a covid-19 no Brasil, segundo a plataforma LocalizaSUS.

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Em uma sociedade marcada por três séculos de escravidão, o movimento negro aponta o antirracismo como a única saída para eliminar as desigualdades e os preconceitos.

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