Breno Altman: povo é quem decide a hora em que Lula será libertado

Em entrevista à TV 247, o jornalista Breno Altman afirmou que a liberdade de Lula passar pela mobilização popular; ele também lembrou que a liberdade de Lula pode reanimar as massas do país contra a direita; "Lula pode substituir o desespero e a desesperança por mobilização e luta das amplas massas do povo contra o bolsonarismo", disse Altman; assista

Breno Altman: povo é quem decide a hora em que Lula será libertado
Breno Altman: povo é quem decide a hora em que Lula será libertado

247 - Jornalista e editor do site Opera Mundi, Breno Altman afirmou que Lula só será libertado mediante mobilização do povo, porém as massas estão desacreditadas e desesperançosas pela sensação de que não é possível vencer o bolsonarismo.

Altman esclarece que Lula representa uma ameaça ao governo do presidente jair Bolsonaro e às elites dominantes porque ele pode reacender o povo contra o bolsonarismo. "O Lula pode substituir o desespero e a desesperança por mobilização e luta das amplas massas do povo contra o bolsonarismo. Ele tem a chave comunicacional, a mística, o simbolismo, a história que pode reverter esse estado de ânimo. A reversão desses estado de ânimo seria tenebrosa para as elites do país, por isso o embate pela libertação de Lula não é político fundamentalmente, e não é por cima, é um embate no qual o povo é quem decide a hora em que o Lula será libertado".

Ele ainda afirmou que se o povo conseguir reunir as forças necessárias pela soltura o ex-presidente a elite não poderá impedir. "Se a causa pela libertação do Lula se transformar em uma causa que mobilize o povo dentro e fora do país, ela se transforma na causa símbolo da resistência democrática e criará a força necessária para impor a liberdade de Lula, queiram ou não os dirigentes da elite brasileira".

O jornalista acredita que a médio prazo as massas irão se organizar e conseguir impor a liberdade de Lula. "Somente será libertado o Lula se houver uma alteração da correlação de forças do país, se houver uma situação de fortíssima mobilização popular. O que eu não vejo com pessimismo é essa expectativa, ou seja, é possível o país viver a médio prazo uma situação de enorme mobilização popular. É essa aposta que eu faço e eu acho que essa aposta tem chances de ser vitoriosa, o país viver uma forte mobilização popular na qual a liberdade de Lula seja a síntese da resistência anti-Bolsonaro".

Breno Altman relembrou a Jornada Lula Livre realizada no último domingo (7), quando a prisão do ex-presidente completou 1 ano. "A jornada foi um sucesso, é motivo de ânimo para os ativistas, para os militantes e para as pessoas que lutam pela liberdade de Lula mas é o primeiro passo de uma longa caminhada. Nós sabemos que a libertação de Lula depende de uma mudança radical do cenário político brasileiro, porque a prisão do Lula é essencial para o governo de Bolsonaro e para as forças conservadoras".

Sobre as manifestações da direita contra a campanha Lula Livre, o jornalista afirmou que o bolsonarismo não é como as outras correntes da direita política porque tem características neofascistas. "O bolsonarismo é uma corrente com características neofascistas, portanto ele tem um base social mobilizada, não é apenas uma direita eleitoral, uma direita ideológica e institucional que não tem capacidade de mobilização na base da sociedade. O bolsonarismo tem militância, o bolsonarismo e seus agregados tem capacidade de protagonismo na sociedade. As ruas terão que ser disputadas com a direita a cada momento e a cada questão que importar ao país e ao povo brasileiro".

Breno Altman também comentou sobre a pesquisa do Datafolha divulgada no domingo (07) sobre a avaliação do governo pelos eleitores. Para ele, a queda de popularidade e apoio já eram esperadas. "Em função das condutas erráticas do governo, dos conflitos, desgastes e políticas anunciadas era previsível que Bolsonaro viesse a sofrer uma queda forte em sua popularidade, como de fato ocorreu. Talvez os números da pesquisa do Datafolha estejam até um pouco além do desgaste aguardado".

Apesar disso, o jornalista recomenda cautela sobre a força do governo. "Eu aconselharia cautela com esses números, embora sejam muito desfavoráveis ao Bolsonaro. Eu acho que há elementos na pesquisa que revelam certa transitoriedade em relação a esse afastamento a Bolsonaro, ou seja, ele pode vir a recuperar parte desse eleitorado que ele está perdendo".

Altman aponta como única saída para a recuperação de Bolsonaro o maior protagonismo dos militares no núcleo do governo. "O presidente só tem um saída diante desse cenário, botar ordem na casa, e botar ordem na casa é dar mais força aos militares, porque os militares preservam o apoio junto ao eleitorado bolsonarista. Nesse sentido, o quadro para a oposição não é bom. Esse eleitorado que se afasta de Bolsonaro se afasta pelos motivos errados, na lógica da oposição de esquerda, se afasta do governo Bolsonaro porque ele é uma desordem, uma bagunça e esses setores querem mais ordem, menos bagunça e seus olhos estão postos nos militares".

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