Cantanhêde: demissão de general mostra contaminação política das Forças Armadas

"Estão se confirmando dois grandes temores dos militares, inclusive do então comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, ainda na eleição presidencial: a contaminação política e a divisão das Forças Armadas", diz a jornalista Eliane Cantanhêde em relação à demissão do general Carlos Alberto dos Santos Cruz da Secretaria de Governo 

Cantanhêde: demissão de general mostra contaminação política das Forças Armadas

247 - "Estão se confirmando dois grandes temores dos militares, inclusive do então comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, ainda na eleição presidencial: a contaminação política e a divisão das Forças Armadas", diz a jornalista Eliane Cantanhêde em sua coluna no jornal O Estado de S. Paulo em relação à demissão do general Carlos Alberto dos Santos Cruz da Secretaria de Governo .

Para ela, "ao assumir a linha de frente da campanha do capitão reformado Jair Bolsonaro, polêmico no próprio meio militar, o Exército assumiu riscos. E não foi por falta de aviso", ressalta. A jornalista avalia que ao demitir o general, "Bolsonaro deu sinalizações negativas para a opinião pública e às Forças Armadas, em particular o Exército".

"A principal é que o guru Olavo de Carvalho andava calado, mas continua forte, capaz de fazer e desfazer ministros. A segunda é que os filhos do presidente mandam mais do que ministros e militares do governo", completa. "A demissão reforça a insatisfação que vai se instalando entre militares de alta patente com decisões, manifestações, o estilo e o despreparo do presidente da República. O chefe do GSI, general Augusto Heleno, continua sendo o grande avalista de Bolsonaro, mas colegas dele, da ativa e da reserva, já não estão tão confiantes assim", diz.

"Elogiado em todas as Forças Armadas, Santos Cruz ganhou ainda mais apoio e respeito ao assumir corajosamente, como sempre deve fazer o bom soldado, a defesa dos generais e dos militares achincalhados em termos inacreditáveis por Olavo de Carvalho", afirma.

"O general caiu pela força moral, por defender os generais e atacar seus detratores. Uma demissão assim tem tudo para deixar cicatrizes.", finaliza Cantanhêde.

 

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