Cardozo diz que caixa 2 deve ser dissociado de outros crimes

Ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo defendeu que apesar da prática do uso de caixa 2 ser sistêmica nas eleições brasileiras, o fato deve ser dissociado de outros crimes como a corrupção e a lavagem de dinheiro; "A corrupção e a caixa 2 são sistêmicas no Brasil, mas nem sempre o caixa 2 é uma forma de agasalhar recursos de corrupção. São situações que devem ser analisadas com muito cuidado na hora de se avaliar os fatos e se emitir julgamento", afirmou; Cardozo prestou depoimento ao juiz Sérgio Moro como testemunha de defesa do ex-ministro Antonio Palocci no âmbito da Operação Lava Jato

Brasília - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fala do primeiro relatório nacional sobre a população penitenciária feminina do País (Elza Fiúza/Agência Brasil)
Brasília - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fala do primeiro relatório nacional sobre a população penitenciária feminina do País (Elza Fiúza/Agência Brasil) (Foto: Paulo Emílio)

247 - O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo defendeu que apesar da prática do uso de caixa 2 ser sistêmica nas eleições brasileiras, o fato deve ser dissociado de outros crimes como a corrupção e a lavagem de dinheiro. "A corrupção e a caixa 2 são sistêmicas no Brasil, mas nem sempre o caixa 2 é uma forma de agasalhar recursos de corrupção. São situações que devem ser analisadas com muito cuidado na hora de se avaliar os fatos e se emitir julgamento", afirmou o ex-ministro após prestar depoimento ao juiz Sérgio Moro como testemunha de defesa do ex-ministro Antonio Palocci, no âmbito da Operação Lava Jato.

Cardozo, que depôs por meio de videoconferência, respondeu a uma série de perguntas feitas pelos advogados que defendem Palocci e a apenas uma pergunta feita por Moro, no processo que o ex-ministro responde pela suspeita de favorecimento em prol da empreiteira Odebrecht na contratação de sondas de exploração da camada do pré-sal.

Em seu depoimento, Cardozo disse que, apesar de não ter atuado na coordenação da campanha da presidente deposta Dilma Rousseff, sabia da orientação dada por ela para não aceitar doações eleitorais cujos recursos tivessem origem duvidosa. "Já estávamos no bojo de um processo difícil criminal motivado pelas investigações da Lava Jato. A orientação era muito clara e, embora não tenha participado diretamente da campanha, eu tinha ciência da postura da candidata de, na dúvida de que houvesse legalidade ou não houvesse legalidade não receber contribuição", afirmou.

Além de Cardozo, Moro também deve tomar nesta segunda-feira (13) os depoimentos do empreiteiro Emílio Odebrecht, além do atual presidente da empresa Newton de Souza e dos ex-executivos da construtora Pedro Novis e Marcelo Faria. O ex-assessor de Palloci, Bralislav Kontic e o vice-governador do Rio, Francisco Dorneles também devem prestar depoimentos na condição de testemunhas de defesa de Palocci.

 

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