Carne Fraca: ações penais entram em fase final com citação de propina a deputado do MDB

Ex-chefes da fiscalização do Ministério da Agricultura no Paraná, Daniel Gonçalves Filho e Maria do Rocio Nascimento fizeram delações que abriram a etapa antecipatória da sentença judicial nas seis ações penais que apuraram corrupção ligada ao setor de carnes; ambos relataram propinas para a campanha do deputado João Arruda (MDB-PR)

Ex-chefes da fiscalização do Ministério da Agricultura no Paraná, Daniel Gonçalves Filho e Maria do Rocio Nascimento fizeram delações que abriram a etapa antecipatória da sentença judicial nas seis ações penais que apuraram corrupção ligada ao setor de carnes; ambos relataram propinas para a campanha do deputado João Arruda (MDB-PR)
Ex-chefes da fiscalização do Ministério da Agricultura no Paraná, Daniel Gonçalves Filho e Maria do Rocio Nascimento fizeram delações que abriram a etapa antecipatória da sentença judicial nas seis ações penais que apuraram corrupção ligada ao setor de carnes; ambos relataram propinas para a campanha do deputado João Arruda (MDB-PR) (Foto: Leonardo Lucena)
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247 - Os processos da Operação Carne Fraca, em Curitiba, entraram em fase de alegações finais. Os ex-chefes da fiscalização do Ministério da Agricultura no Paraná Daniel Gonçalves Filho e Maria do Rocio Nascimento, fizeram delações premiadas que abriram a etapa antecipatória da sentença do juiz nas seis ações penais que apuraram corrupção de agentes públicos e de empresas ligadas ao setor de carnes, principalmente as duas maiores gigantes do setor, JBS e BRF.

Ao juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14.ª Vara Federal de Curitiba, os delatores voltaram a falar do esquema de pagamento de propinas pelas empresas a fiscais e citaram o nome do deputado federal João Arruda (MDB-PR). Daniel afirmou que intermediou propinas para a campanha de João Arruda. Os pagamentos seriam pedido de Gil Bueno Magalhães, outro ex-superintendente do Ministério Paraná também réu da Carne Fraca. Os relatos foram publicados no Blog do Fausto Macedo.

"O que eu sei do Peccin na questão política, e era o operador. Daí existia um conflito muito grande, o superintendente na época era o Gil, ele me chamou e falou: 'Daniel, nós temos que... eu estou querendo mexer lá no Peccin. E o Peccin está querendo colaborar politicamente com os nossos deputados. Eu falei 'Está bom, como eu faço?'. [Ele] falou: 'Ele pretende dar uma ajuda de R$ 100 mil, certo?. Você vai lá no João Arruda , conversa com ele e coloca o Peccin em contato com ele para que possa ajudar na campanha política do João Arruda. Foi isso que aconteceu. Eu sai do circuito. Não sei se foi pago, se não foi", disse ele.

Ex-chefe do Serviço de Inspeção de Produto de Origem Animal (Sipoa) no Paraná, Maria do Rocio detalhou como foi pagamento de dono de frigorífico para que fiscal Daniel Gouveia fosse removido. "Fiquei sabendo pelo Daniel, que disse que o Gil chegou até o Daniel Gonçalves e disse que o senhor Idair Peccin tinha oferecido para ele 100 mil reais para que ele retirasse o Daniel Gouveia do SIF 2155".

De acordo com a ex-dirigente, metade desse valor seria "para um parlamentar", que, segundo o delator, seria João Arruda.

O deputado João Arruda sugeriu que está sofrendo tentativa de retaliação. O parlamentar afirmou ser desafeto do delator, "pois em março de 2016 requereu em ofício a retirada de sua assinatura da carta de indicação do partido ao nome do fiscal". O congressista disse que o agente faz acusações sem provas e motivado por sentimento de vingança.

O deputado informou que irá processa-lo civil e criminalmente.

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