Celso Amorim diz que ameaça de Villas Bôas ao STF para manter Lula preso foi golpe

“Villas Bôas pode dizer que aquilo não era uma ameaça, só um alerta. Mas quando alguém faz um alerta com a arma na mão, você tem escolha?”, questionou o ex-ministro Celso Amorim

(Foto: Wilson Dias/Agencia Brasil)
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247 - O ex-ministro Celso Amorim afirmou estar surpreso com as atitudes golpistas das Forças Armadas em entrevista à Carta Capital, conforme revelado pelo general Eduardo Villas Bôas, que forçou o Supremo Tribunal Federal (STF) a manter o ex-presidente Lula preso.

“Sempre achei que eram legalistas”, disse. “Foi golpe. Villas Bôas pode dizer que aquilo não era uma ameaça, só um alerta. Mas quando alguém faz um alerta com a arma na mão, você tem escolha?”

“Fiquei um pouco chocado. Não com a publicação que ele fez no Twitter há três anos, isso todos sabiam, mas com o fato de Villas Bôas ter consultado o Alto-Comando do Exército antes de fazer essa ameaça. Independentemente da formação doutrinária de um ou de outro, sempre achei que, em tempos recentes, os oficiais da cúpula das Forças Armadas eram legalistas”.

“Fui ministro da Defesa no primeiro mandato de Dilma, em meio aos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade. Eles estiveram presentes para receber os restos mortais de João Goulart, depois sepultado com honras de chefe de Estado”, ressaltou.

“O STF rejeitou o habeas corpus de Lula. Não dá para especular como seria o voto de cada ministro sem essa ameaça. Essa decisão não mudou apenas o destino do ex-presidente, mas do Brasil”, afirmou. 

“Naquele momento, Lula liderava as pesquisas de intenção de voto e tinha grandes chances de se eleger. Isso abriu caminho para a ascensão da extrema-direita”, lembrou.

O ex-ministro ressalta que “jamais” nutriu “esperanças de que eles admitissem que em 1964 houve golpe”, mas ressaltou que é “complicado, vários generais da ativa têm relações, inclusive familiares, com o pessoal daquela época. Mas eles estavam seguindo a lei, e não por mero oportunismo”.

“Tive uma relação muito boa com os comandantes das três forças, com o chefe do Estado-Maior. Eram legalistas”, afirma.

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