Celso Amorim: Lula e Marielle simbolizam ausência de justiça e direitos no Brasil

Ex-chanceler afirma, em entrevista à TV 247, que a prisão de Lula e a impunidade dos assassinos de Marielle repercutem de maneira negativa para o Brasil mundialmente; Celso Amorim ainda disse que a política externa do atual governo atua "no domínio da irracionalidade"; assista

Celso Amorim: Lula e Marielle simbolizam ausência de justiça e direitos no Brasil
Celso Amorim: Lula e Marielle simbolizam ausência de justiça e direitos no Brasil

Por Guilherme Levorato – O ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim afirmou, em entrevista ao jornalista Leonardo Attuch, que o assassinato da vereadora Marielle Franco e a prisão do ex-presidente Lula são dois fatores que mancham a imagem do Brasil perante o mundo.

Celso Amorim disse que esses dois casos são o símbolo da falta de Justiça no Brasil. "Há duas coisas que afetam muito a imagem do Brasil no mundo hoje: o Lula preso e a impunidade dos assassinos da Marielle. Obviamente essas prisões agora são importantes, mas é preciso chegar aos mandantes e entender os motivos do assassinato. Esses dois fatos simbolizam a ausência de uma justiça realmente imparcial e que garanta os direitos dos cidadãos".

O ex-ministro também colocou como tarefa número um libertar o ex-presidente Lula, para que o país possa se tornar realmente democrático. "É fundamental que o presidente Lula possa ser liberado. Eu acho que a coisa mais imediata, mais concreta e mais simbólica de um grau razoável de democracia no Brasil é o Lula ser liberado".

Ele ainda disse que os opositores de Lula têm medo do povo e, por isso, medo do ex-presidente. "Eles têm medo do povo, e o Lula fala a voz do povo. A voz daqueles que não são totalmente enganados por esses memes, por essas mensagens truncadas, que exploram o medo, o ódio e a diferença. O Lula fala e fala com autoridade, porque a vida das pessoas melhorou, não é uma coisa hipotética".

Amorim também criticou a política externa do Brasil e a falta de racionalidade no campo diplomático. "Nós estamos agora no domínio da irracionalidade. É isso que eu temo, porque nessas coisas, de repente algo escapa do controle. Na Venezuela conseguiram segurar, mas teve um coronel lá na ponta que disse que eles estavam atirando contra território brasileiro, vai que um coronel desse dá um tiro volta. Assim começam as guerras".

Sobre a Venezuela, o ex-ministro disse que o fator para o fracasso da intervenção militar dos EUA sobre o país latino foi a coesão militar venezuelana e o apoio popular à Maduro. "Eu acho que o que surpreendeu, sobretudo o exército norte-americano, foi a coesão das Forças Armadas da Venezuela e o apoio popular que o Maduro tem. Ele tem muita oposição mas tem muito apoio popular".

Celso Amorim também lembrou do encontro de 20 minutos entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente norte-americano Donald Trump. "Isso ilustra a diminuição da importância do Brasil. O Lula ficou umas cinco horas com o ex-presidente George W. Bush, e agora 20 minutos?".

O ex-ministro comentou ainda a posição do governo de sair do Pacto Global para a Migração. Para ele, isso prejudicará os brasileiros que moram no exterior. "Deixa de protegê-los. E não há sentido, não se consegue compreender uma coisa dessas, a não ser para imitar os Estado Unidos e uma ideologia contra as Nações Unidas. Lamento em dizer que não é só o Olavo de Carvalho, quando o Comitê de Direitos humanos deu aquela liminar que o Lula tinha direito de concorrer às eleições mesmo preso, porque seria um mal irreparável, houve um juiz de uma alta corte e um chefe militar que disseram que o Brasil não poderia ser curvar à ONU, não se curvar à ONU é não se curvar à civilização".

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