Coletivos repudiam ataque de Bolsonaro à memória de Fernando Santa Cruz

"Caso ele não revele as informações que possui, estará utilizando a cadeira da Presidência da República para acobertar crimes contra a humanidade, e, por isso, deve ser responsabilizado", dizem as entidades Coletivo RJ Memória, Verdade e Justiça; Equipe Clínico-Política do Rio de Janeiro; Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça e Ocupa Dops

(Brasília - DF, 24/07/2019) Palavras do Presidente da República, Jair Bolsonaro.\rFoto: Marcos Corrêa/PR
(Brasília - DF, 24/07/2019) Palavras do Presidente da República, Jair Bolsonaro.\rFoto: Marcos Corrêa/PR

247 - Quatro coletivos de pessoas impactadas pelos crimes cometidos pela Ditadura Militar divulgaram nota de repúdio à declaração de Jair Bolsonaro que disse saber como tinha morrido o militante Fernando Santa Cruz, que foi preso e morto pela Ditadura, e que é pai do presidenten da OAB, Felipe Santa Cruz. 

"Caso ele não revele as informações que possui, estará utilizando a cadeira da Presidência da República para acobertar crimes contra a humanidade, e, por isso, deve ser responsabilizado", dizem as entidades Coletivo RJ Memória, Verdade e Justiça; Equipe Clínico-Política do Rio de Janeiro; Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça e Ocupa Dops. 

Leia, abaixo, a nota na íntegra:

NOTA DE REPÚDIO

O senhor Jair Bolsonaro afirmou hoje saber as circunstâncias do desaparecimento forçado e da ocultação do cadáver, em 1974, do funcionário público Fernando Santa Cruz. Seu dever é, portanto, revelar essas informações à Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (Lei 9.140) e à Justiça, para que a sociedade e, sobretudo, a família de Fernando Santa Cruz, possam encerrar uma busca que já dura mais de 40 anos.

É preciso, ainda, que ele venha a público dizer se possui informações sobre outros casos de mortos e desaparecidos políticos, e que apresente suas fontes e as provas do que diz. 

Como se sabe, os arquivos das Forças Armadas se mantêm fechados até hoje, ao mesmo tempo em que os agentes da ditadura sustentam um pacto de silêncio sobre as graves violações de direitos humanos cometidas no período de 1964-1985.  Assim, caso ele não revele as informações que possui, estará utilizando a cadeira da Presidência da República para acobertar crimes contra a humanidade, e, por isso, deve ser responsabilizado. 

Do contrário, caso ele não tenha conhecimento de informações sobre os crimes que levaram à morte e ao desaparecimento de mais de 400 militantes de resistência à ditadura, então esta terá sido apenas mais um declaração leviana, irresponsável e cruel de Bolsonaro, pela qual ele deve ser igualmente responsabilizado.

COLETIVO RJ MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA
EQUIPE CLÍNICO-POLITICA DO RIO DE JANEIRO
FILHOS E NETOS POR MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA
OCUPA DOPS



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