Colunista da Folha destaca aparelhamento dos órgãos públicos e instituições por Bolsonaro

Para Celso Rocha de Barros, doutor em sociologia pela Universidade de Oxford, o aparelhamento da PF, Receita Federal e outros órgãos públicos feito por Jair Bolsonaro visa blindar o governo de eventuais investigações contra a corrupção. "E qual vai ser a desculpa para descartar todo e qualquer nome que não aceite acobertar esquemas? A moral, é claro. Cada vez que um candidato der sinais de que tem alguma mínima restrição às picaretagens dos bolsonaristas, eles vão inventar algum esquerdismo para o sujeito”, diz

Para Celso Rocha de Barros, doutor em sociologia pela Universidade de Oxford, “aparentemente, a maneira de parar a Lava Jato era fazê-la de otária”. Segundo ele, a estratégia não era de fazer isso por meio do enfrentamento aberto ou de “tentar desmontá-la em silêncio, como tentou Temer”. 

“O negócio era se eleger como campeão da luta contra os corruptos, colocar Moro no Ministério da Justiça, prometer-lhe uma vaga no STF, convocar passeata todo domingo contra a corrupção, e, enquanto isso, aparelhar os tribunais, a polícia, a Receita, o Coaf, todos os órgãos que foram responsáveis pelas investigações de corrupção da última década”, afirma Barros em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo. 

Barros ressalta que Bolsonaro “tirou o poder de Moro sobre o Coaf” ao mesmo tempo em que “convocava manifestações dizendo que o Coaf era a coisa mais importante de todos os tempos, que se o Coaf não ficasse com Moro o mundo acabaria”. 

Agora, destaca, “Bolsonaro já deixou claro que só nomeará para procurador-geral da República quem aceitar ser submisso ao presidente”. “E qual vai ser a desculpa para descartar todo e qualquer nome que não aceite acobertar esquemas? A moral, é claro. Cada vez que um candidato der sinais de que tem alguma mínima restrição às picaretagens dos bolsonaristas, eles vão inventar algum esquerdismo para o sujeito”, diz. 

“Ainda não se sabe se o aparelhamento bolsonarista será bem-sucedido. A Polícia Federal, a Receita, os procuradores vão reagir. E parece cada vez menos provável que Moro termine o ano no cargo de ministro. Mas, em termos de popularidade presidencial, talvez não dê em nada: talvez a indignação toda tenha sido mesmo só cinismo”, avalia.

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