“Com Trump, podemos buscar mais espaço”, diz Mangabeira Unger

Professor de Filosofia da Universidade de Harvard, Mangabeira Unger acredita que a eleição de Donald Trump para presidência dos Estados Unidos pode significar "uma grande oportunidade para o Brasil"; "Trump chega ao poder sem uma visão consolidada em relação à América Latina e, especialmente, ao Brasil. Os democratas tinham uma visão que nos colocaria em posição subalterna, como uma espécie de linha auxiliar dos Estados Unidos. É muito melhor para nós ter esse vazio do que ter a diretriz anterior, do governo Obama", disse Mangabeira; segundo ele, a política externa brasileira "não deve servir como um departamento da UNE, mas também não é para ser uma sucursal da Fiesp"

Professor de Filosofia da Universidade de Harvard, Mangabeira Unger acredita que a eleição de Donald Trump para presidência dos Estados Unidos pode significar "uma grande oportunidade para o Brasil"; "Trump chega ao poder sem uma visão consolidada em relação à América Latina e, especialmente, ao Brasil. Os democratas tinham uma visão que nos colocaria em posição subalterna, como uma espécie de linha auxiliar dos Estados Unidos. É muito melhor para nós ter esse vazio do que ter a diretriz anterior, do governo Obama", disse Mangabeira; segundo ele, a política externa brasileira "não deve servir como um departamento da UNE, mas também não é para ser uma sucursal da Fiesp"
Professor de Filosofia da Universidade de Harvard, Mangabeira Unger acredita que a eleição de Donald Trump para presidência dos Estados Unidos pode significar "uma grande oportunidade para o Brasil"; "Trump chega ao poder sem uma visão consolidada em relação à América Latina e, especialmente, ao Brasil. Os democratas tinham uma visão que nos colocaria em posição subalterna, como uma espécie de linha auxiliar dos Estados Unidos. É muito melhor para nós ter esse vazio do que ter a diretriz anterior, do governo Obama", disse Mangabeira; segundo ele, a política externa brasileira "não deve servir como um departamento da UNE, mas também não é para ser uma sucursal da Fiesp" (Foto: Aquiles Lins)

247 - O professor de Filosofia da Universidade de Harvard, Mangabeira Unger, afirmou neste sábado, 12, que a eleição de Donald Trump para presidência dos Estados Unidos pode significar "uma grande oportunidade para o Brasil."

"Trump chega ao poder sem uma visão consolidada em relação à América Latina e, especialmente, ao Brasil. Há um grande vácuo. Um vazio. Houve uma discussão acalorada em relação ao México, mas essa discussão não predetermina a política em relação ao Brasil ou à América Latina em geral. Os democratas e o grupo em volta de Hillary Clinton tinham uma visão consolidada. Uma visão que nos colocaria em posição subalterna, como uma espécie de linha auxiliar dos Estados Unidos. É muito melhor para nós ter esse vazio do que ter a diretriz anterior, do governo Obama. Trump representa uma volta aos problemas internos do país. Uma tendência a atenuar um engajamento agressivo dos Estados Unidos no mundo", disse Mangabeira em entrevista à revista Época. 

Mangabeira destaca que, embora torça para que as tensões entre Trump e o México sejam superadas, um estremecimento entre os dois países criaria oportunidade para o Brasil.

"Essa é a lógica das coisas. Havendo uma dificuldade na relação com o México, que levará muito tempo para ser superada, a tendência natural, nos planos econômico, político e retórico, será buscar uma compensação com o Brasil", acredita.

"A tendência de Trump, na América Latina, será ouvir ou propor acordos específicos. Nos debates da campanha eleitoral sobre os acordos comerciais, Trump mostrou-se preocupado com a desindustrialização dos Estados Unidos. Mas não teve nenhuma posição firmada, por exemplo, em relação à abertura dos mercados agrícolas. Ou em relação a colaborações de qualificação tecnológica."

Mangabeira Unger fez críticas à política externa brasileira. "A política exterior brasileira tem duas vozes tradicionais. Na primeira, típica da esquerda, o governo se submete aos interesses do rentismo financeiro, dentro do país, e tende a compensar essa rendição com um antiamericanismo retórico na política exterior. A segunda voz usa a política exterior como um mercantilismo tacanho. Imaginamos que a tarefa da política exterior é vender nossos produtos. Temos de abandonar essas posições. A política exterior não deve servir como um departamento da UNE, mas também não é para ser uma sucursal da Fiesp. Temos de desenvolver, a partir dela, um projeto político sério. Essa é a oportunidade que nós temos agora."

Leia na íntegra a entrevista de Mangabeira Unger.

 

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