Cortes de verbas das universidades são um ataque à ciência, diz professor

Corte de 30% nas verbas destinadas às universidades públicas de todo o país determinado pelo governo Jair Bolsonaro deverá resultar na paralisação das atividades já no segundo semestre; universidades já preveem que faltarão recursos para a manutenção de serviços básicos, como água, energia e segurança, além da manutenção de programas destinados à estudantes pobres; "Temos um movimento anticiência, paralelo à crise econômica, que é global e está no Brasil", afirma o professor da UFG José Alexandre Felizola Diniz Filho

Cortes de verbas das universidades são um ataque à ciência, diz professor
Cortes de verbas das universidades são um ataque à ciência, diz professor (Foto: Reprodução)

247 - A asfixia decorrente do corte de 30% nas verbas destinadas às universidades públicas de todo o país determinado pelo governo Jair Bolsonaro deverá resultar na paralisação das atividades das instituições de ensino já no segundo semestre. De acordo com reportagem do jornal El País, as universidades já preveem que faltarão recursos para a manutenção de serviços básicos, como água, energia e segurança, além da manutenção de programas destinados à estudantes pobres. "Temos um movimento anticiência, paralelo à crise econômica, que é global e está no Brasil", afirma o professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), José Alexandre Felizola Diniz Filho.

Ao todo, o contingenciamento determinado pelo decreto decreto Nº 9.741alcança um total de R$ 29,6 bilhões. O objetivo, segundo o governo é adequar as contas à Lei de Responsabilidade Fiscal. "Com os cortes, o Ministério das Ciências e Tecnologias (MCTIC) perdeu 41,9% dos recursos. Dos cerca de 5,079 bilhões de reais previstos para o órgão, foram bloqueados 2,132 bilhões de reais. E do orçamento da Educação, de 149 bilhões de reais, 5,8 bilhões em despesas não obrigatórias foram contingenciadas por este decreto", destaca o El país. Ao contrário de outras pastas que conseguiram recuperar parte dos recursos contingenciados, o MEC "sofreu um aperto nas contas de 1,6 bilhão de reais", diz o texto.

"Os anos de bonança econômica, especialmente no segundo Governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e primeiro Governo de Dilma Rousseff,chegaram a quebrar essa lógica. "A área de ciência e tecnologia cresceu, formamos milhares de doutores. Mas agora entramos em crise econômica novamente", afirma Diniz. Desta vez, uma movimentação tem preocupado os pesquisadores tanto quanto a falta de recursos. "Temos um movimento anticiência, paralelo à crise econômica, que é global e está no Brasil", afirma Diniz, que pesquisa evolução e mudança climática, dois temas que estão na pauta de discussão dos criacionistas e negacionistas", ressalta reportagem do El País.

'"Trabalhamos muito além do nosso expediente normal para alavancar a ciência e inovação – agora somos tratados como o problema e não como o que ainda funciona na esfera pública. Porque é claro que a universidade pública tem problema, mas é de longe uma das poucas coisas que realmente funciona. O que me desanima é as pessoas não enxergarem o que é a universidade, tratando-a como inimiga do povo"', observa Esther Colombini, professora do Instituto de Computação da Unicamp e diretora de Competições Científicas da Sociedade Brasileira de Computação.

'"O desmonte da ciência nacional acabou virando assuntos de publicações estrangeiras especializadas como Nature, Science e SciDev.Net. E o próprio ministro da pasta, o astronauta Marcos Pontes, veio à público defender o desbloqueio de recursos do orçamento determinado pelo Ministério da Economia. "O orçamento é incoerente com a importância do setor para o desenvolvimento nacional. Recursos para ciência e tecnologia não são gastos, são investimentos. Todos os países desenvolvidos, quando estão em crise, investem mais no setor", afirmou o ministro, em audiência no Senado", observa o El País.

 

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