Crescimento da popularidade de Bolsonaro não é falta de inteligência do povo, diz professor

Professor da UFABC, Vitor Marchetti, afirma que atribuir resultado de pesquisa Datafolha à burrice do povo é postura que “dialoga muito pouco com a realidade do comportamento político padrão de nossos cidadãos”

(Rio de Janeiro - RJ, 14/08/2020) Palavras do Presidente da República Jair Bolsonaro.
(Rio de Janeiro - RJ, 14/08/2020) Palavras do Presidente da República Jair Bolsonaro. (Foto: Marcos Corrêa/PR)
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Rede Brasil Atual - Culpar a falta de inteligência do povo para explicar o crescimento de popularidade do presidente Jair Bolsonaro na pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (13) é uma postura “elitista”. E que “dialoga muito pouco com a realidade do comportamento político padrão de nossos cidadãos”. Essa é a avaliação do cientista político Vitor Marchetti, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC).

Em artigo publicado no blog Entendendo Bolsonaro nesta sexta-feira (14), o professor critica essa argumentação, que representa também uma “volta a um debate típico de décadas anteriores”.

Ao ponderar sobre as razões que levam o presidente ao melhor nível de aprovação desde o início do mandato, o professor diz que a pesquisa é uma fotografia que retrata o mês de agosto de 2020. 

“Obviamente, a trajetória diz coisas sobre o passado e aponta tendências para o futuro, mas, se a pesquisa é uma fotografia, a política é um filme. No caso brasileiro, uma mistura de novela mexicana com tragédia grega. Ou seja, os cenários são dinâmicos e muito voláteis. Basta olhar para o que era a base de apoio do governo em janeiro e o que ela é agora. Não dá, portanto, para enquadrar o que será janeiro de 2021, quanto mais outubro de 2022”, afirma Marchetti.

Efeito das políticas públicas

Na avaliação do professor, o retrato apresentado pela pesquisa mostra que Bolsonaro “começou a entregar mais política pública e isso produziu efeito positivo imediato sobre seu governo”.

“As bravatas e a disputa de narrativas acabaram dando lugar para coisas mais concretas como: auxílio de R$ 600 para mais de 60 milhões de pessoas e inauguração de diversas obras (a estratégia do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, foi investir na conclusão de diversas obras iniciadas em governos anteriores antes de iniciar novas obras).”

Mas o professor critica o presidente, por ser incapaz de ter uma agenda de políticas públicas. “Sua única agenda parece ser cada vez mais a de impedir o impedimento e a de proteger sua família das investigações sobre ilicitudes de suas atividades políticas e econômicas”, destaca. 

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