Cruvinel: mediação do governo será feita pela imprensa e não pela redes sociais

A jornalista Tereza Cruvinel observa que "na diplomação de anteontem o presidente eleito Bolsonaro esforçou-se para adotar um tom conciliador mas não resistiu à tentação de depreciar o papel mediador da imprensa livre na democracia, ao dizer que 'o poder popular não precisa mais de intermediação'", devido às redes sociais, da qual tem feito uso constante desde a campanha; apesar disso, ela ressalta que "ao longo do mandato, haverá sim a intermediação da imprensa, atributo da democracia que o peso das redes sociais na eleição não suprimiu"

Cruvinel: mediação do governo será feita pela imprensa e não pela redes sociais
Cruvinel: mediação do governo será feita pela imprensa e não pela redes sociais

247 - A jornalista Tereza Cruvinel observa que "na diplomação de anteontem o presidente eleito Bolsonaro esforçou-se para adotar um tom conciliador mas não resistiu à tentação de depreciar o papel mediador da imprensa livre na democracia, ao dizer que 'o poder popular não precisa mais de intermediação'". Apesar disso, ela ressalta que "para governar sob marcos democráticos, nenhum governo poderá prescindir dessa mediação. Isso ele ainda não compreendeu, o que se nota até pelo descaso com que vem tratando as questões de comunicação na montagem do governo.

Para ela, a afirmação do presidente eleito coincide por "engano ou por cálculo" a afirmação feita por ele na qual concedeu "às novas mídias uma supremacia enganosa sobre a imprensa tradicional, a escolha do jornalismo, pela revista Time, como personalidade deste ano em que, mundo afora, veículos e jornalistas foram perseguidos pela exposição de verdades incômodas. E não apenas por governos autoritários, mas também pelas hordas de intolerantes geradas pela própria Internet", destaca Tereza em sua coluna no Jornal do Brasil. 

"As mídias sociais de fato permitem que qualquer um emita sua opinião, e que as pessoas recebam informações das mais diversas fontes", mas "agora ele vai tomar posse, vai governar, seus atos vão impactar diferentes grupos sociais e contrariar interesses. Tudo o que disser ou fizer será do interesse de todos, e será a imprensa livre e independente, tradicional ou digital, que conduzirá o debate público. As mídias sociais é que serão pautadas, não o inverso", afirma.

"Ele pode já ir se acostumando, no trocadilho dos que cantavam sua vitória. Ao longo do mandato, haverá sim a intermediação da imprensa, atributo da democracia que o peso das redes sociais na eleição não suprimiu", afirma. 

Leia a íntegra da coluna no Jornal do Brasil. 

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