Deltan prenuncia: "aumenta a probabilidade de eu e outros sermos punidos"

Desmoralizado pela Vaza Jato, o procurador Deltan Dallagnol admitiu em entrevista que espera ser punido por seus crimes. Sem citar as mensagens reveladas pelo The Intercept, Dallagnol diz que há um "ambiente de revanchismo, que aumenta a probabilidade de eu e outras pessoas sermos punidos em diferentes âmbitos”

(Foto: ABr)
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247 - Desmoralizado pela série da reportagens que revelaram o conluio da Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol participou de evento em Curitiba em que teceu comentários sobre as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), como a que anulou a condenação de Aldemir Bendine.

Sem apontar argumentos jurídicos que pudessem sustentar o seu discurso, o procurador Deltan surfou na onda da campanha de ultra-direita e fez um discurso político de ataque ao Supremo. A informação é da Folha de S. Paulo.

“Chega lá [no STF] e tem entendimento diferente, novo, com o qual a gente não contava na investigação e derruba [o processo] para trás. Isso é contraproducente”, lamuriou o chefe da força-tarefa da Lava Jato, ao comentar a anulação da condenação de Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil.

Mensagens da Vaza Jato comprovam que Deltan e demais procuradores da Lava Jato de Curitiba agiam nas sombras, conspirando contra ministros do STF,  violando prerrogativas funcionais e institucionais. 

Mas Deltan não citou esses fatos. Apenas disse que as decisões dos ministros do Supremo que não atenderam aos interesses da Lava Jato são "revanchistas" e admitiu que espera ser punido por seus crimes.

“Temos um péssimo ambiente neste momento e ainda soma-se a tudo isso um ambiente de revanchismo, que aumenta a probabilidade de eu e outras pessoas sermos punidos em diferentes âmbitos.”

Segundo ele, além da anulação da sentença de Bendine, outras decisões do Supremo “não geram bons efeitos” no seu suposto combate à corrupção, como a proibição de encaminhamento de informações da Receita e do antigo Coaf para o Ministério Público.

“Fora o prejuízo da investigação, ainda tem o fato de que isso acua os auditores da Receita. Isso é injusto, errado, não gera bons efeitos”, disse ele. 

No entanto, a Vaza Jato revelou que a força-tarefa pedia dados fiscais sigilosos por meio de aplicativo de mensagens, sem autorização judicial como determina a lei, ao auditor fiscal Roberto Leonel, que chefiava a área de inteligência da Receita em Curitiba. Questionado por seu superior, Leonel mentiu: "Ele quis saber pq fiz etc e se tinha passado está inf a vcs ... Disse q NUNCA passei pois não tem origem ilícita suspeita !!! Por favor delete este assunto por enquanto".

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