Depois da Amazônia Verde, Amazônia Azul corre risco real de catástrofe ambiental por negligência do governo

O óleo que polui as praias do Nordeste é só uma amostra do pesadelo que pode estar por vir na Amazônia Azul brasileira. A ANP (Agência Nacional do Petróleo) faz um leilão nesta quinta-feira (10) de 36 blocos de exploração, sendo que quatro deles estão muito próximos do santuário ambiental de Abrolhos. Os riscos são imensos e houve atropelamento de prazos. Baleias, corais-cérebro, atobás e carabgueijos correm risco

(Foto: Marcos Rodrigues)

247 - O óleo que polui as praias do Nordeste é só uma amostra do pesadelo que pode estar por vir na Amazônia Azul brasileira. A ANP (Agência Nacional do Petróleo) faz um leilão nesta quinta-feira (10) de 36 blocos de exploração, sendo que quatro deles estão muito próximos do santuário ambiental de Abrolhos. Os riscos são imensos e houve atropelamento de prazos. Baleias, corais-cérebro, atobás e carabgueijos correm risco. 

A reportagem de Marcelo Leite, do jornal Folha de S. Paulo, destaca que "com ajuda do Ministério Público Federal, pescadores lutam para excluir da oferta de 36 blocos quatro áreas que trazem perigo para o arquipélago de Abrolhos e dois extensos manguezais. O quarteto na bacia de Camumu-Almada arrecadaria meros R$ 10,8 milhões (0,34%) do total de R$ 3,2 bilhões esperados em bônus de assinatura.

A matéria ainda sublinha que "os blocos só permaneceram na 16ª rodada da ANP por intervenção direta do novo presidente do Ibama, Eduardo Bim. No início do governo Bolsonaro, em 1º de abril, Bim atropelou parecer contrário de técnicos subordinados e determinou que as áreas seguissem na oferta pública. A juíza Milena Souza de Almeida Pires, da Justiça Federal da Bahia, decidiu nesta quarta-feira (9) manter o leilão para os blocos das bacias Camumu-Almada e Jacuípe que levam risco a Abrolhos. Ela não acatou o pedido de suspensão da oferta feito pelo Ministério Público Federal da Bahia, mas determinou que as empresas interessadas sejam notificadas de que o caso segue sub judice."

Os quatro blocos ficam a 310 km de distância do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, criado em 1983. A apenas 130 km, porém, está o limite norte do banco de corais mais rico em espécies do Atlântico Sul, que vai de Canavieiras (BA) a Linhares (ES).

Se ocorrer um acidente com derramamento, simulações indicam que o petróleo chegaria à costa e ao arquipélago em questão de horas.

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