Dilma: Bolsonaro aniquilou política ambiental brasileira


247 - A ex-presidenta Dilma Rousseff publicou uma nota na qual denuncia o extermínio da política ambientral brasileira pelo governo Bolsonaro. Ela diz: "Esta verdadeira catástrofe é resultado do aniquilamento da política ambiental brasileira e das posições de Bolsonaro de estímulo à destruição do bioma amazônico."

Leia a nota completa da ex-presidenta: 

"O relatório do INPE/Prodes que mostra um aumento de 29,5% do desmatamento na Amazônia nos últimos 12 meses é o retrato mais contundente do desastre ambiental a que o governo Bolsonaro está submetendo o Brasil. A destruição de 9.762 quilômetros quadrados de floresta entre agosto de 2018 e julho de 2019 é um recorde.

Esta verdadeira catástrofe é resultado do aniquilamento da política ambiental brasileira e das posições de Bolsonaro de estímulo à destruição do bioma amazônico. Desde a campanha eleitoral, e mais acentuadamente depois de sua posse, o presidente de extrema-direita se manifesta seguidamente no sentido de autorizar e até incentivar o desrespeito ao meio ambiente, sobretudo na Amazônia.

Ele criticou o trabalho da fiscalização, desautorizando a ação dos fiscais, atacou as reservas indígenas e florestais, defendeu os garimpeiros ilegais, prometeu liberar a exploração de minérios em áreas de preservação, atacou o INPE, chegando a exonerar seu diretor, entrou em confronto com chefes de estado, pronunciou um discurso virulento na ONU contra os defensores do meio ambiente e, na semana passada, revogou o decreto que proibia o plantio de cana-de-açúcar na Amazônia.

Embora o recorde de desmatamento registrado nos últimos 12 meses seja a tradução mais dramática do desmonte ambiental promovido por Bolsonaro, este não parece ser o retrato final da crise. A situação certamente tende a piorar, diante da prática do governo de tentar se esconder da realidade. Acuado pelos números, o ministro do Meio Ambiente fez o que Bolsonaro está habituado a fazer, que é distorcer os dados e jogar em terceiros a culpa por seus próprios erros.

O ministro disse que o aumento do desmatamento da Amazônia começou em 2012, durante o meu governo. Ele mentiu. Após o pico de 2004, quando atingiu o segundo maior patamar da série, a taxa de desmatamento decresceu continuamente até atingir o menor nível da história em 2012 (4.571 km2), oscilando, nos três anos subsequentes, entre as menores taxas até hoje registradas. Por isso, a taxa no último ano do meu governo foi menor que a taxa do primeiro ano (6.207 km2 e 6.418 km2, respectivamente).

A verdade é que, após o golpe, o desmatamento voltou a crescer. E a taxa estimada para 2019 (9.762 km2) é 114% superior à de 2012 – que foi, repito, a menor da história. E 74% maior que a média do desmatamento em meu período de governo. O gráfico apresentado na primeira página do Estado de S. Paulo foi manipulado para sustentar a falsa desculpa do governo. Ao alterar a escala, transforma em aparência de “crescimento” a relativa estabilidade observada no período 2011-2015, em uma estratégia de manipulação visual dos dados para enganar o leitor.

O jornal se junta ao ocupante do cargo de ministro do meio ambiente para criar fake news: o ponto mais baixo do desmatamento, que é 2012, resultado de uma política consistente de enfrentamento ao desmatamento ilegal, é tratado, assim, como momento de início do crescimento. A mudança da escala transforma estabilidade em aumento. Aliás, o jornal esqueceu sua manchete de 5 de junho de 2012: “Brasil atinge menor taxa de desmatamento em 23 anos”. E, no entanto, mesmo naquele título havia um erro, porque eram 25 anos, não 23, considerando o início da série histórica de apuração dos dados.

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