Dinheiro vivo de ônibus, bares e mercados alimentaram caixa dois de empresas

Segundo delação do empresário Adir Assad, empreiteiras usavam ônibus, supermercados e outros estabelecimentos para obter dinheiro vivo e abastecer os esquemas de propina a políticos; até ser preso, em março de 2015, Assad teria fornecido R$ 1,7 bilhão em dinheiro vivo para a Odebrecht

The corporate logo of Odebrecht is seen in a construction site in Caracas, Venezuela January 26, 2017. REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
The corporate logo of Odebrecht is seen in a construction site in Caracas, Venezuela January 26, 2017. REUTERS/Carlos Garcia Rawlins (Foto: Charles Nisz)

247 - Dinheiro em espécie costuma ser usado para evitar o rastreamento de atos criminosos. No entanto, sacá-lo em contas é difícil, pois movimentações acima de R$ 100 mil são comunicadas ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). As 6,5 bilhões de notas em circulação são responsáveis por 40% das transações em 2016 no país. Alguns dos criminosos da Lava Jato buscaram operadores financeiros com acesso a grandes volumes de cédulas.

Dono de uma promotora de grandes shows, Adir Assad usou o relacionamento com gerentes de banco para conseguir sacar altos valores. Assad fazia grandes saques para pagar os funcionários desses eventos. Por conta do volume movimentado, se tornou um dos grandes fornecedores de dinheiro das empreiteiras. Assad firmou acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República e diz ter gerado R$ 1,7 bilhão em espécie para ao menos sete empreiteiras até ser preso, em março de 2015.

As malas de dinheiro dadas a políticos pela Odebrecht passavam pelo operador Álvaro Novis. Segundo o corretor Lúcio Funaro, Novis tinha um grande “fornecedor” de cédulas. No caso, a Fetranspor, que reúne as empresas de ônibus do Rio. Desde a década de 1990, Novis gerenciava o caixa dois dessas companhias.

Em acordo de delação premiada com a PGR, o operador afirma ter conquistado a confiança da Odebrecht ao conseguir rapidamente R$ 800 mil em espécie. Novis também organizava os envios da Cervejaria Petrópolis (fabricante da Itaipava), outro fornecedor de notas para a Odebrecht. Neste caso, a parceira da empreiteira vendia os produtos em dinheiro para bares no Rio e repassava a Novis. A Odebrecht, por sua vez, pagava a cervejaria no exterior, em dólares.

Funaro revelou outro esquema para obtenção de papel-moeda. Segundo o corretor, os operadores Vinicius Claret e Cláudio Barbosa –apontados como os maiores doleiros do país– tinham acordo com supermercados. Eles recolhiam boletos de contas desses estabelecimentos e pedia para que o interessado em dinheiro vivo os pagasse por transferência bancária. Em troca, recebiam o equivalente em espécie, mediante uma taxa.

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